opinião

DIA DO TRABALHADOR: ENTRE A CELEBRAÇÃO E A REALIDADE DE QUEM CARREGA O BRASIL NAS COSTAS

1 de maio de 2026

Costa Neto 

Presidente do Sindjus 

O Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, costuma ser marcado por homenagens, discursos e mensagens de reconhecimento. Mas, para uma parcela significativa dos brasileiros, a data tem sido atravessada pela incômoda sensação de que há pouco o que comemorar.

Em um país onde quase 80% da população depende diretamente dos serviços públicos para viver, seja na saúde, na educação, na segurança ou no acesso a direitos básicos, o trabalhador segue sendo, ao mesmo tempo, indispensável e desvalorizado. Trabalha mais, enfrenta mais dificuldades e, ainda assim, vê seu papel ser questionado por narrativas que distorcem a realidade.

Nos últimos anos, consolidou-se no debate público uma ideia perigosa: a de que o serviço público é um problema, um peso para o país. Mais do que isso, de que o servidor é um obstáculo ao desenvolvimento. Trata-se de uma mentira, uma simplificação injusta e conveniente ao interesse de poucos.

Na prática, o Brasil real funciona de outra forma.

Funciona com o profissional de saúde que garante atendimento mesmo diante da escassez. Com o professor que mantém a escola aberta, apesar das limitações. Com o servidor da justiça sobrecarregado que, ainda assim, assegura os direitos dos brasileiros. Com o trabalhador que, todos os dias, faz o Estado chegar até as pessoas.

Desqualificar essas pessoas é desqualificar o próprio funcionamento do país.

Há também um recorte que não pode ser ignorado: grande parte daqueles que sustentam a narrativa de ataque ao serviço público não depende dele. Não enfrenta filas, não utiliza transporte coletivo, não precisa recorrer ao sistema público de saúde. Vive em uma realidade paralela, distante da experiência da maioria da população mas, ainda assim, influencia decisões que impactam diretamente quem mais precisa.

Esse descompasso entre quem decide e quem vive a realidade concreta do país ajuda a explicar por que o trabalhador, especialmente o servidor público, tem sido alvo recorrente de ataques. Mas é preciso recolocar o debate nos trilhos. Defender o serviço público não é defender privilégios. É defender acesso. É defender equidade. É defender a base que sustenta o Brasil. E, acima de tudo, é reconhecer que não existe desenvolvimento possível sem valorização do trabalho em todas as suas formas.

Neste 1º de maio é necessário refletir. E, principalmente, agir.

Fortalecer o serviço público é fortalecer a vida de milhões de brasileiros. E é a partir desse reconhecimento que se constrói um futuro diferente: um Brasil onde o trabalho volte a ser motivo de orgulho e não de resistência.

Porque quando o trabalhador é respeitado, o Brasil funciona.
E quando o Brasil funciona para todos, aí sim, há o que comemorar.

Costa Neto
Presidente do Sindjus

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