TRÊS HISTÓRIAS DE ASSOMBRAÇÃO E ALMAS PENADAS
Os mais velhos contavam a história de uma mulher misteriosa e bela que aparecia na torre da antiga igreja de Princesa , sentava lá no alto e os seus cabelos, de tão grandes, arrastavam no chão. Ninguém sabia a sua origem, mas os antigos arriscavam um palpite: seria a alma penada de uma moça assassinada após ser flagrada em adultério.
Ela aparecia no alto da torre, olhava o vazio da noite e depois saía voando aos prantos. Diziam que os soluços dela despertavam a cidade e remoíam de remorsos os seus algozes.
Os boêmios costumavam vê-la, mas decifrar seu mistério era impossível. Quando ela aparecia, eles já estavam embriagados, mal conseguiam falar a letra da música que entoavam para alguma amada oculta. Contava-se que as cabeças dos dedos do violonista Anísio Raça caíram de tanto ele tocar para a misteriosa mulher.
Na década de 60 o vigário Anastácio mandou derrubar a igreja. Sumiram muitas coisas com os escombros: túmulos de gente rica que era enterrada perto dos altares, o rosário da beata Maria e, claro, a moça dos cabelos longos que assustava a cidade pedindo justiça.
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Princesa sempre foi uma cidade cercada de mistérios e malassombros. A serpente do Açude Velho, que ainda hoje mora nas profundezas do paredão, seria uma moça amaldiçoada pelo pai que a castigou por ter fugido com um vaqueiro da fazenda.
A coitada foi jogada viva nas águas do açude, afundou e virou serpente.
Hoje o Açude Velho está sendo aterrado pelo progresso.
Pode ser que, com o sumiço das águas, a pobre moça finalmente descanse.
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E como uma alma chama a outra, Maria tinha a mania de colocar um couro de bode na janela toda vez que Janjão, seu marido, saía para caçar.
Era a senha para o sabido Chico Couro pular a janela do quarto e enchê-la de amor.
Naquela noite Janjão passou mal no meio do caminho para a Cachoeira, onde pretendia caçar juritis e lambus, voltou pra casa sem avisar e encontrou Maria perfumada, como se estivesse a sua espera.
Surpreendida pela inesperada presença, Maria não teve tempo de retirar o couro da janela.
E Chico Couro, faceiro e faminto, foi para a janela indiscreta, que encontrou fechada e danou-se a forçar a tranca.
– Tem gente querendo arrombar a janela -, alarmou Janjão já pegando na espingarda.
– É uma alma penada, deixe que eu despacho ela-, prontificou-se Maria, levantando a voz e entoando cântico que devolve alma ao paraíso:
Oh alma que tá penando
Vai pro reino da gulóra
Meu marido tá em casa
Alembrei do couro agora!





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