ABMAEL E A CARTEIRA DE MOTORISTA
Abmael Morais foi um dos jornalistas mais inspirados que já militaram na Paraíba. Vindo do Rio Grande do Norte, aqui fez nome e muitos amigos. Editou jornais, escreveu livros e viveu a vida intensamente, sem se prender a conveniências, ou ao jugo de governos ou governantes. Baixinho, feioso, banguela, escondia-se por trás de imenso bigode e ocultava os olhos sob vistosos óculos fundos de garrafa. Mas supria as deficiências físicas com um atrevimento que intimidava os arrogantes. Morreu novo, mas viveu o bastante para sair desta vida sem lamentações. Viveu como quis, fez o que quis. Era um anarquista.
Fui assim perfilado por ele num de seus livros: “A sua história é vulgar…” Abmael perdeu o emprego em A União porque peitou o governador Burity num artigo em que exigia aumento salarial. Dirigiu-se ao governador: “Bura, no meu você não bota não”.
Trabalhávamos juntos, na década de 1980, em A União, ambos enfrentando as vacas magras. Eu morando na periferia e Abmael, que jamais perdeu a pose, numa bela casa de quatro águas, em Manaíra. Ele era assim: morria mas não deixava de luxar. Cobrador que o procurasse tinha que pedir licença para fazer a cobrança, senão não era atendido. Como aconteceu naquela vez, no Drive-In da Epitácio Pessoa. O pendura lá nas nuvens e Abmael, no seu gin com tônica, já ia na décima lapada quando o garçon o interpelou: “Jornalista, e o pendura?”. Abmael o olhou com aquele ar superior, determinando: “Traga os meus vales”. Animado, o moço foi ao bar e voltou com uma maçaroca de papéis. Abmael olhou um por um, mandou o garçon somar. Feita a soma, pediu o total, assinou embaixo e ordenou: “Agora está tudo atualizado. Leve isso e bote embaixo da conta de hoje”.
Numa sexta-feira de um setembro de 1984, saímos eu, Abmael, Chico Pinto e Jackson Bandeira pelos bares da cidade. Éramos transportados no Chevette hacht de Abmael, 15 anos de uso, 10 anos de emplacamento atrasado, um horror. A tertúlia etílica começou pelas 10 horas, no Grande Ponto de Seu João. Depois do meio-dia, continuamos no Drive-in da Epitácio e, quando o sol se pôs, descemos até a praia, em busca da saideira.
Perto do Elite Bar, em Tambaú, nos deparamos com a blitz da Polícia Militar. Um soldado grandão, com jeito de brabo, mandou-nos parar, aproximou-se e pediu a carteira de motorista para dele ouvir: “Tenho isso, não”. “Os documentos do carro”, pediu o brutamontes. “Também não tenho”, respondeu Abmael. “Então, o carro está preso”, comunicou o PM e ordenou que descêssemos.
Descemos e o soldado, depressa, entrou no carro a fim de levá-lo. Foi aí que surgiu a autoridade de Abmael: “Peraí, cadê sua carteira?”, interpelou. “Tenho não”, respondeu o soldado. “Então o carro não sai”, decidiu Abi, mandando que Chico Pinto ficasse na frente do veículo para impedir-lhe a partida. Veio o cabo da patrulha, que se inteirou do acontecido e ele próprio se dispôs a guiar o carro. “Cadê a carteira?”, voltou a exigir Abmael. O cabo não a tinha. O carro não sairia, então. Veio o sargento e, por último, o tenente. Ninguém tinha carteira. E gerou-se o impasse.
“Nós somos autoridades!”, tentou, ainda, intimidar o oficial. E Abmael irredutível: “Sem carteira, não tem autoridade que leve o carro”. A essa altura uma plateia considerável se formara ao redor do Chevette e dos protagonistas. Tinha até torcida. Os policiais viram-se no mato sem cachorro. Se prendessem Abmael e os acompanhantes, haveria repercussão. O jeito foi chamar Pedro Adelson, Secretário de Segurança, que saiu da Granja de Wilson Braga diretamente para Tambaú a fim de pacificar os ânimos. O secretário ali chegou, mandou a polícia se recolher, pediu desculpas a Abmael e aos demais. E nós continuamos em busca do Elite para tomar a última, que durou o resto da noite.
PARAIBANOS COM LULA
O Núcleo Paraibano com Lula no Distrito Federal promove, neste domingo (20), a partir das 12 h, um grande encontro de conterrâneos no Setor de Chácaras Kanegae, no Riacho Fundo I.
O evento reunirá paraibanos residentes em Brasília e no Entorno para um momento de confraternização, valorização das raízes nordestinas e manifestação de apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição.Estarão presentes Leandro Grass, candidato ao Governo do TDistrito Federal; Erika Kokay e Leila do Volei, candidatas ao Senado,; Agnelo Queiroz, candidato a deputado federal e Jacy Afonso, candidato a deputado distrital.
PARAIBANOS EM BRASÍLIA
Em jantar de apoio a Agnelo Queiroz para deputado federal em Brasília, Miguezim Lucena e Zezé encontraram uma prima de Dona Cacilda, Maristela Cabral, irmã do delegado Gutemberg Cabral.
O COCO DE GAUDÊNCIO
Na reunião de sábado, no Zé Américo, os amantes do cuscuz com bode ouviram histórias do inimitável Gaudêncio Cabral. Uma delas: uma mulher comprou um coco verde, levou uma queda quando tentava beber o conteúdo e foi à Defensoria Pública se queixar. Queria ser indenizada por danos morais. Gaudêncio ouviu seus lamentos e, ao final, puxou da carteira uma nota de cinco reais, entregou-a à dona e ordenou:
- Tome sua indenização, vá comprar outro coco.




Sem Comentários