Eles não fizeram falta

O padre da Igreja Nossa Senhora de Guadalupe, no Cabo Branco, me convenceu hoje de uma coisa: A gente consegue morrer em paz.

Seu Adolfo Gama, por exemplo, só morreu depois de ouvir da família reunida em torno dele, na cama do hospital, que era amado. A esposa de 65 anos de jornada foi quem primeiro disse “Eu te amo!”. O filho Gilberto repetiu a declaração. Os outros oito filhos disseram a mesma coisa. Aí Seu Adolfo se foi como um sopro de brisa que corta o ar nas madrugadas em viagem celestial.

Na missa de sétimo dia, celebrada esta tarde, Gilberto Carneiro abraçou e foi abraçado por amigos que sempre o amaram, independente do cargo que estivesse ocupando.

Já não eram tantos como antigamente, mas eram o bastante para ele ter a certeza de que não estava só.

Não se via a multidão de outros tempos, mas divisava-se braços e abraços oferecendo aconchegos.

Nada dos elogios fáceis que se dissipavam no ar. Os amigos de hoje nem precisavam falar, o olhar solidário falava direto ao coração.

Vi gente humilde, gente simples, gente boa da gloriosa PGE, que não esqueceu do tratamento respeitoso recebido do antigo Procurador, e estava lá para dizer que o chefe se foi, mas o amigo ficou eternizado na lembrança de cada um.

Não tive como anotar nomes de possíveis ausentes.

Eles não fizeram falta.

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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