Memórias

Leitor de gibi

24 de julho de 2026

Minhas primeiras leituras foram os gibis que tomava emprestado a Dodô, dono de primorosa coleção de Tarzan, e os que comprava a Dinalvo Carlos, outro colecionador dos gibis de Jim das Selvas.

Depois vieram os livros, com a inauguração da biblioteca pública da Praça José Nominando.

Dona Maria do Socorro tomava conta da biblioteca e me recomendava os livros que deveria ler.

Li toda a coleção de Monteiro Lobato, depois consumi o que tinha de José de Alencar, fui a Vitor Hugo com os Miseráveis e li numa tarde Os Irmãos Karamazov de Dostoiévski.

Também nessa época  fui apresentado aos filósofos gregos e enveredei pelos episódios da II Guerra Mundial.

Dona Socorro era uma das irmãs de Antônio Nominando. Magrinha, tinha jeito de doente. Dizem que adoeceu de desgosto por um amor que não deu certo. E daí numa mais quis amar de novo.

Ela me recebia sempre com um sorriso e gostava de me ver, lá no canto da biblioteca, devorando um livro por tarde, as vezes mais de um dependendo da grossura.

Deve ter nascido aí o meu gosto pela literatura. Aprendi a alinhavar algumas palavras. E me viciei tanto que, quando não estava na biblioteca pública, pegava o que encontrava e lia. Até bula de remédio.

Uma vez minha mãe flagrou-me acocorado num monturo que havia entre a Rua do Cancão e a descida para a Rua do Ferreiro lendo um pedaço de jornal velho.

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