Mais ou menos Excelências

Marcos Pires

É sim, é aos Ministros do STF que me refiro. Vamos relembrar? Gilmar Mendes disse que Lewandowski fazia coisas heterodoxas, bastando ver o que ele havia feito no Senado quando da cassação do mandato de Dilma. Lewandowski rebateu dizendo que não seguia o exemplo de Gilmar e que bastava ver o que ele, Gilmar, fazia diariamente nos jornais. Gilmar cortou a conversa: “- Faço isso inclusive para poder reparar os absurdos que Vossa Excelência faz”.

Recentemente o Ministro Barroso atacou o sorridente Gilmar: “ – Me deixe fora desse seu mau sentimento. Você é uma pessoa horrível, uma mistura do mal com o atraso e pitadas de psicopatia”. No momento mais grave disse: “- Vossa Excelência não tem nenhum patriotismo, está sempre atrás de algum interesse que não é o da Justiça”. Qual será o interesse, leitores amigos?

Isso é pouco. Barroso disse que Gilmar era leniente com o crime do colarinho branco e que não trabalhava com a verdade.  Sem negar sequer que era mentiroso, Gilmar retrucou dizendo que não era advogado de bandidos internacionais, referindo-se à defesa que Barroso fizera de Cesare  Battisti.

Não vou cansar vocês citando somente esses dois personagens. Vale lembrar que Joaquim Barbosa já acusou Lewadowiski de fazer chicana no STF. Por falar em Lewandowiski, lembro quando Gilmar referindo-se a ele disse: “- Eu não sou de São Bernardo (berço de Lewandowski) e não faço fraude eleitoral”. Então existem entre as Excelências acusações de chicana, heterodoxia, fraude eleitoral, mentira, complacência com criminosos, psicopatia… enfim, eles se conhecem muito bem.

Agora vamos à História (com H maiúsculo). Em 1964 o AI-2 aumentou de 11 para 16 o número de Ministros do STF para garantir maioria no Tribunal em favor do regime militar. Em janeiro de 1969 o mesmo regime aposentou 3 Ministros do STF. Dois outros Ministros, corajosos e honrados, renunciaram em protesto. Estava resolvida a questão, tanto que logo em seguida o AI-6 voltou o número de Ministros do STF para os 11 originais.

A diferença entre aquela época do regime militar e agora é que o STF não precisa mais das forças armadas para ser diminuído, ele mesmo está cuidando disso.

É como disse o locutor de uma estação de rádio no interior do Ceará quando Hitler perdeu a guerra: “- Bem que eu avisei daqui ao senhor Hitler, mas ele se fez de doido…deu no que deu”.

Deixe uma resposta:

Seu endereço de e-mail não será mostrado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Sliding Sidebar

Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

Social Profiles

teste