Moro na filosofia não rima nem é solução

 

1BERTO DE ALMEIDA

 

1 -Ainda vou morrer de tanto sorrir para acordar gargalhando. Isso memo. Apesar do coração tranquilo e renovado, ponte livre para o bom humor, são as gargalhadas que farão dele um coração mais feliz. Pois é, meus amigos, vem mais um São João por aí, cheio de quadrilhas que parecem mais escolas de samba do primeiro grupo de Rio de Janeiro.  Horríveis. Sem graça alguma.  

 

 A propósito, agora é moda falar e gostar do Jackson do Pandeiro. Todos admiram o alagoa-grandense e falam dele mil maravilhas. Ele, pela vez dele, pobre e antes muito desprezado por aqui, é agora o “Rei do ritmo”, tem uma “bela voz e todas as suas composições entraram para a história da MPB pela porta da frente”. Mentira!  Jackson é um ótimo ritmista e fim de papo. Voz bonita? Sendo assim, Reginaldo Rossi, esse que vez por outra serve de válvula de escape para a minha breguice, é o Rei da Voz dos nossos tempos. Vamos ao “B”.

 

B – Aqui no meu terraço de plantas, a minha amada filha Carolina ao lado, sempre presente e cheia de futuro, lembro o dia em que a Rosa e eu, esse faz pouco tempo, em São Paulo, resolvemos fazer uma visita ao Masp, onde expostas estavam as obras do Aleijadinho. Uma beleza!  Mas, para a minha surpresa, nesse dia, chamando a Rosa a minha atenção, entre as suas – dele, do Aleijadinho – famosas obras, deparei-me com uma…. Mesa! Isto mesmo: uma mesa! E, por favor, não me venham com mil elucubrações para dizer que nessa mesa a arte estava posta. Arte é aquilo que a gente acha que é arte?  Nem sei mais quem disse essa tolice. Tudo bem. Mas onde estava arte naquela mesa recém confeccionada, e ocupando um lugar de destaque no “Museu de Chateaubriand”?  Em seguida, lembro-me bem, depois do “inesperado da surpresa”, olhando para a mesa com aquele olhar desconfiado de quem acabou de ver um político honesto, o que vejo? Um extintor! E agora?  Fiquei a perguntar para as casas dos meus botões cheios daquela arte feita em madeira e imaginação. Seria essa também mais uma obra imortal de algum bombeiro artista? Não respondi. A resposta fica para os nosso cultos e estudiosos da arte moderna. Meu Deus! Pulo para o “E”.

 

E – Mas, ainda por falar em Jackson do Pandeiro, no mesmo ritmo do primeiro parágrafo, contam por aqui, em casa, que ele passou uns dias morando com o meu tio Álvaro, na vizinha cidade do Recife, um tio que pouco conheci e dele nem pouco, infelizmente, me lembro. Jackson era um sujeito triste. Almoçava e, mesmo antes da digestão do pouco que comia, corria para o “seu” quarto, e, nele, no quarto que o meu tio dera pra ele, se fechava em silêncio. Nada de música. O ritmo dele, nessa época, era outro. Não conheci o Jackson nesse quarto de silêncio. Mas, pelo pouco que dele ouvia, sabia que o seu valor, naqueles dias, era menor ainda. Eis que de repente, esquecendo o pouco que dele lembrava nos tempos do meu tio, Jackson nos aparece como a maior criação da mais autêntica Música Popular Brasileira.  Eu gosto do Jackson. Mas vamos devagar que o santo quer curtir a paisagem. Bacana, não? Ó povinho vira casaca de couro! Outro pulo para o “R”.

 

R –   aqui do meu terraço, esse fora da minha ilha cercada de discos e filmes e livros por todos os lados, claro, lembro do mineiro Soares da Cunha.   São muitos que levados pelo desconhecimento, desse mineiro não pode lembrar. Nada de muito interessante para os muitos leitores que desinteressante acham o que este MB espalha por aqui e em alhures. Pausa. O bom artistamigo Francci Lunguinho, cobra a toda hora o nosso “Arte & Manhas das palavras”. Nele, no Soares da Cunha, encontro algumas boas inspirações. Mas, no momento, com o tempo apenas dedicado ao coração, tenho manhas apenas.

 

Soares Cunha é aquele sujeito mansinho como uma Cora Coralina que sabe dizer, assim mansamente, umas verdades gostosas de ler. É dele a trovinha famosa que diz “Amigos (alguns) são todos eles/Como aves de arribação/Se faz bom tempo, eles vêm/Se faz mau tempo, eles vão…” Acredito que o meu bom amigo Tião de Deus, o Lucena, sabe de que ele, Soares da Cunha, fala e o porquê deste MB ratificar o falado.  Tem muitos ex-crotos por aí se dizendo amigos nossos. Em casa, coração ainda se acostumando a travessia, exercito os dedos malabaristas. Vamos para o “T”.

 

T – Por necessidade financeira, apenas, pois se dependesse apenas de mim nem perto deles chegaria, tive que ir ao banco para pegar um pouco do que honestamente ganhei nesta vida de perde-e-ganha. Lá, onde eles “guardam” o meu salário, um banco com ares de “casa de moeda’, bonito por fora e rico e podre por dentro, passei um bom tempo para receber o que é meu por direito:  salário.

 

 O tratamento recebido, como diferente não poderia ser, é de um “cidadão comum como esses que se vê na rua”. No ar dos muitos assalariados como eu, via-se a alegria, essa prova dos nove. Se esses soubessem, pensei, que Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil lucraram, juntos, R$ 19,95 bilhões no primeiro trimestre deste ano, um aumento de 8,3% em relação ao trimestre anterior e de 22,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, estariam nas ruas pedindo a prisão desses pulhas. Os banqueiros, essas agiotas oficiais, riem das nossas caras como se caras de idiotas todos tivéssemos. Sinto nesse momento uma revolta da gota serena em saber que nenhum desses sacripantas foi preso por isso.  Vamos, finalmente, para a letra “O”, graças a Deus

 

–   Acho que pelo menos um dos meus dois leitores deste disputado e lido espaço do amigo Tião Lucena, ouviu falar em Fausto Wolff. Mas, se não, um bom conselho espero que ouça: consulte o Dr. Google a respeito desse sujeito que este MB, com disse um dia, gostaria de ser quando crescesse. Fausto trocou de roupa e se mudou para outra cidade no ano de 2008, aos 68 anos. Novo, não? E muito. Fausto escreveu para o Pasquim, Tribuna da Impressa, Diário da Noite e outros e outros.  Foi diretor de Teatro e professor de literatura nas universidades de Copenhague e Nápoles. Conquistou vários prêmios literários. Tá bom? Então tá. Pois bem. Mexendo nos meus alfarrábios e lembrando o grande “Lobo”, encontrei há pouco esse imeio aí, enviado pelo Lobo– trocamos alguns! -, a respeito de umas mal-traçadas minhas sobre o seu excelente O Nome de Deus. Que bom recordar! Vale a pena ler e recordar de novo. Saudades do Fausto!

“1 Berto como escreves bem. E não digo isso por puxares a sardinha para a minha brasa. Sofro pressões infernais internas e externas. Mas, aparentemente, os leitores me seguram. Com a desculpa de que ela é grande para o espaço, jamais a publicariam. Entretanto, envie-a para kat@jb.com.br  minha editora no caderno b que ela, assim que sobrar um espaço a publica. Mais uma vez o comovido abraço do amigo Fausto Wolff”

A Minha benção, Fausto!

2 Comentário On Moro na filosofia não rima nem é solução

  • Bom dia, Sebastião,

    Mais uma do 1berto de Almeida. Um escritor. Não tenho dúvidas. Você disse que o cara é bom? Mais, Tião, o cara é ótimo! Na sua simplicidade e estilo único ele pincela o mundo com tinta de cor única. Eu conheço um POUCO da obra do escritor e jornalista Fausto Wolff. Excelente. Foi uma referência no pasquim e Jornal do Brasil e outros. Ele sair para elogiar um colega assim? Nenhuma dúvida, o cara é mais que bom! Aíida desconfio que 1berto é pseudônimo. Se não for, que me drecupe. Que texto! Manda mais de 1berto, Sebastião!

  • Meu caro e bom Tião.
    Alguns leitores do seu “boiga” desconfiam que 1 Berto de Almeida é um pseudônimo. Também acho. Até a foto do cabra é uma caricatura tirada da imaginação de um chargista, cujos traços geniais deitam mais lenha na hipótese da inexistência dessa pessoa, sendo quase impossível ter alguém com esse tipo de nome registrado em cartório. Até hoje só tomei conhecimento de Um Dois Três de Oliveira Quatro, Ava Gina e Bucetilde. Os escritos desse tal 1 Berto são excelentes, a gente percebe o domínio que o dito cujo tem da língua, escreve brincando, e o resultado é um texto lúdico e leve como uma pluma, por mais rude e ogro que seja o tema. Assim, em matéria de talento com a escrita, não existem 2, 3 ou 4 Berto de Almeida, só existe um, como um só Deus, para os crentes. Se esse cidadão existisse, como diabos ele ia ingressar na Academia Brasileira de Letras, ou na Academia de Lorotas de São José de Princesa? Teria pois de mudar de nome. Tomei conhecimento em crônica recente de uma ponte construída no seu coração. Para a obra, inadiável, não houve concorrência fraudulenta nem superfaturamento. Os engenheiros desentupiram os canais e acabou restabelecido o fluxo sanguíneo do corpo do dono desse pseudônimo. Parece que estou vendo o então provável defunto entrar no consultório do cirurgião já com o pedido engatilhado: “Doutor, meu coração anda ultimamente num ritmo que não quero, devolva-lhe o bolero ou me retire do salão”, como no poema de Marcus Tavares, irmão de Anco Márcio, que não era pseudônimo algum e um AVC precoce o fez abandonar a festa.

Deixe uma resposta:

Seu endereço de e-mail não será mostrado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Sliding Sidebar

Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

Social Profiles