Existe a lei do retorno, eu acredito nela, o ex-governador João Azevedo, se não acreditava, está sentindo na pele os seus efeitos, o que ele fez no verão passado está voltando em forma de castigo. E é só o começo.
Todos se lembram, eu lembro mais ainda, João era o colega de Governo, o simpático secretário, o homem forte da equipe. Enquanto os outros secretários andavam em carros de passeio, o de João era uma cabine dupla, quatro por quatro. Sua palavra era uma sentença. Cuidava das obras, ditava ordens, fazia e desfazia. E sempre com o respaldo do governador Ricardo Coutinho.
Veio a eleição, Ricardo disse que o seu candidato seria “o menino pobre de Cruz das Armas”. Nos unimos em torno dessa eleição, andamos com ele, portamos bandeiras, brigamos. Aí João se elegeu, tomou posse e logo nos primeiros dias de governo arrebitou o nariz, engrossou o gogó e decidiu virar as costas para os antigos aliados.
Quem quis ficar com ele, deu-se bem. Quem não aceitou trair o amigo de priscas eras, levou um chute na bunda. E foi perseguido.
João brilhou, inflou o ego, decidiu que seria o glorioso, acima dele, só Deus.
Mas agora, sem a tinta da caneta, começa a sentir os efeitos da lei do retorno. E nuvens escuras espreitam lá de longe, anunciando tempestades e ventanias.
Como dizia finada Ana Pé de Banha, “nada como um dia atrás do outro com uma noite no meio”.




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