opinião

O desmaio de emoção de um velho moralista

21 de março de 2024

Miguezim de Princesa

I
Um homem de 80 anos,
Circunspecto e moralista,
Discursava no auditório
De uma escola normalista:
– As moças hoje andam nuas,
Chega a espantar a vista!
II
– Os rapazes falam fino
E têm o passo miúdo,
O sujeito que é careca
Faz implante cabeludo,
E o rico, entediado,
Está operando tudo.
III
Meu amigo Sabe-Tudo
Aumentou até o lau,
Que ficou de palmo e meio,
Feito trava de jirau,
E só anda de bermuda
Para provar que é mau.
IV
A mulher vai para a festa
E de lá volta buchuda,
Quem fez o filho, não sabe,
Como argumentou Miúda:
– A boate estava escura,
Foi um dos três de bermuda.
V
Quando acabou a palestra,
Do tempo passou uma hora,
O moralista avistou
Uma sobrinha de Flora
Que passava rebolando
Com a bunda quase de fora.
VI
Esquecendo da lição,
Com o olho arregalado,
O velho disse: “Eita, Cão,
Eu fiquei meio afobado”,
Caiu tremendo no chão
Com o cacete levantado.
VII
O ajudante do velho
Deixou o velho sentado,
Limpou seu terno de linho,
Lhe deu um suco gelado,
Pegou do chão a bengala
Que o velho havia soltado.
VIII
– Vamos embora, patrão,
Que o dia foi de repuxo,
O senhor caiu no chão,
Quase que arrebenta o bucho;
Disse Elino Julião:
“O véi vai no relabucho,
Porque o maracujá
Só é bom quando está murcho”.

Você pode gostar também

Sem Comentários

Deixar uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.