Os cobradores

Marcos Pires

Um querido leitor me mandou a fantástica história que transcrevo a seguir. Antes de publica-la certifiquei-me de que era verdadeira. Ocorreu por volta de 1950 em Porto Alegre. Ali uma empresa organizou um grupo de senhores para fazer cobranças. Trabalhavam com uma farda vermelha, trazendo escrita nas costas, em letras enormes, a palavra COBRADOR. Logo ficaram famosos na capital gaúcha, a ponto de serem seguidos por meninos e desocupados quando entravam na rua onde efetuariam a cobrança, sempre arrodeados por aquela malta sequiosa da desgraça alheia.

Cada um deles tinha seus métodos particulares de trabalho. Um deles limitava-se a acompanhar o devedor como se fosse sua sombra. Não dizia nada, só seguia. Logo que o devedor saia de casa ele colava e acompanhava na feira, no trabalho, em todos os lugares. O constrangido devedor cuidava logo de resolver o problema. Um outro cobrador de vermelho tinha um método mais, como direi…inteligente. Sabendo do endereço do devedor, errava de proposito e ia bater à porta da vizinha mais fofoqueira, a quem contava “por engano” toda a situação do pobre inadimplente. Esse método era muito eficaz; antes que a fofoca se espelhasse por toda a rua a dívida já estava quitada.

Era constrangedor? Claro que sim. Muito provavelmente hoje em dia essa pratica seria proibida, mas nada que se compare ao mais novo boato (pelo menos por enquanto ainda está a nível de boato) que está circulando pelo país. É que os bancos que financiam automóveis estão preocupadíssimos com o alto nível de inadimplência dos seus clientes, e estariam desenvolvendo um pequeno mecanismo a ser instalado nos veículos financiados. Sempre que os computadores das financeiras identificarem atraso superior a 3 meses no pagamento das prestações, sensores serão disparados e o sistema de abastecimento será cortado, fazendo com que os carros parem no lugar que estiverem. Dizem que além disso, o alarme sonoro e o pisca-alerta também serão disparados, facilitando a localização do inadimplente pelos fiscais do banco.

Fico imaginando a avenida Epitácio Pessoa numa segunda feira pela manhã, naquele costumeiro engarrafamento das sete horas. De repente vários automóveis param bloqueando o transito, com seus alarmes e pisca-alertas acionados. E por uma infelicíssima coincidência o seu carro, querido leitor, que está quitado e “em dias”, tem uma pane… .

Eita boato ruim, hem!

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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