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Porque hoje é sábado

7 de fevereiro de 2026

1 – Os viajantes da BR 230 viveram uma tarde de sexta-feira infernal. Chovia, os trovões enchiam o espaço, os relâmpagos cortavam o firmamento e o toró descia com gosto. Quem chegava à Capital, se enfiava num gigantesco engarrafamento, quem saía também enfrentava o dito cujo.

2 – O que enfrentei começava na descida do Hospital Metropolitano. Filas enormes de caminhões de vários tamanhos e eu imprensado entre eles. Fiz conjecturas. Achava que aquilo se devia ao povo do interior que chegava a João Pessoa para a festa de carnaval que começava na sexta.

3 – Cheguei a esculhambar com os foliões, a dizer que, com tanto lugar para se brincar, aquele povo vinha logo pra cá. Porque, se o leitor não sabe, no interior se faz um carnaval supimpa. Só Campina fica na moita, orando nos eventos evangélicos, católicos e africanos, mas até em Campina tem bloco desfilando pelos bairros.

4 – E tome tempo. Uma hora e meia, a bunda doía, a perna ficava dura e a vontade de mijar aumentava. No carro da frente o motorista não se aguentou, desceu do carro, puxou pra fora e aguou o asfalto. Ainda bem que Dona Cacilda não viu a cena.

5 – Uns mais impacientes invadiam o acostamento, seguiam adiante, cortavam por um atalho do hospital que vai dar no Aeroporto Castro Pinto e de lá seguindo de volta até a pista depois do viaduto. Teve gente que pegou uma estrada de barro paralela à Br, mas adiante o engarrafamento continuava.

6 – E assim seguimos, a 2 km por hora, vendo a hora um cheiro na bunda do carro, o pisca-pisca ligado avisando que aquela bunda tinha dono, o ponteiro da gasolina numa peinha de nada.

7 – Até que, depois daquele viaduto feio contruído pelo Exército na subida para o Castro Pinto e na descida para a Avenida Liberdade, descobriu-se o causador de todo aquele sofrimento: o eterno açude que se forma na BR quando chove.

8 – E era grande, cobria as rodas do carro, chegava perto do capô, quase nos engolia. Os veículos passavam devagar, quase parando, não tinha como ser diferente, de repente a água poderia chegar ao motor e aí, adeus Tia Chica!

9 – Passamos. E vimos o outro lado da BR no sentido João Pessoa/interior do Estado passando pelo mesmo sufoco. A fila do outro lado era mais comprida, começava no açude e seguia até depois do Viaduto Sonrisal do Zé Américo.

10 – E ficou a pergunta no ar: Se o problema é crônico, por que o DNIT ainda não o solucionou? Dinheiro tem. Basta tirar um pouco do muito que se manda para as Prefeituras maquiarem as estradas. Sim, ia esquecendo, nesse tempo todo só vimos uma viatura da Polícia Rodoviária Federal. Estava parada no acostamento entre o Geisel e o Zé Américo, enquanto os policiais paravam motoqueiros para ver se a documentação estava em ordem.

11 – E lá se vão meus abraços sabadais para Paulo Josafá, Sebastião Gerbasi, Cícero Lima, Herbert Fittipaldi, Mário Gomes Filho, Diego Lima, Maguila de Bananeiras, Vavá da Luz, Geordie Tampa de Furico Filho, Chico Pinto Neto, Tadeu Florencio, Marcos Burrego, Gaudêncio Cabral, Carlos César Muniz, Zé Euflávio, Chico Ferreira, Sales Fernandes, Manoelito Freire, Bibiu Lucena, Miguezim Lucena, Aldo Lopes, Duminguim de Dona Hozana, Maurilio Batista, Ricardo Coutinho, Pedro Cirne, Pedro Freire, Chico Franca, Luciano Bernardo,  Solon Benevides e Odon Bezerra.

12 – A fila em frente a agência do Banco do Brasil já estava acentuada àquela hora da manhã, quando o jornalista Chico Maria, que lá se encontrava, avistou o ex-deputado Valdir dos Santos Lima se aproximando com um pacote debaixo do braço, guardado com muito carinho.

  • Valdir, você é doido? Carregando um pacote desse tamanho de dinheiro, sem proteção, com essa onda de assaltos que assola a cidade?

Valdir sorriu amarelo e fazendo cara de triste:

  • Que nada, Chico. Isso é uma rapadura do meu engenho, que eu trouxe na esperança de encontrar um possível comprador.

 

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