1 – É madrugada e aqui estou, igual ao vaqueiro do prefeito perseguindo a vaca deitada de Zé Limeira:
“As quatro da madrugada
O vaqueiro do prefeito
Corre alegre e satisfeito
Atrás da vaca deitada
Deitada e bem apojada
Com a traseira pelo chão
A desgraça de Sansão
Foi trair Pedro Primeiro
Viva o aboio do vaqueiro
Nas quebradas do sertão.
2 – Mas as coisas continuam acontecendo lá fora, seja noite, seja dia. O deputado Adriano Galdino, por exemplo, comentava ontem a performance de Maria Luiza Porto em direção ao mandato de Deputada Estadual. Adriano destacava que os amigos de Zé Maranhão estão votando em Maria. Desse jeito, Maria vem com votos para uma eleição oceânica, no dizer do seu pai, o desembargador Zeca Porto. O carisma de Maria faz a diferença.
3 – Por falar em Zeca Porto, o próximo presidente do Tribunal de Justiça, indagado em Patos na última quarta-feira quais seriam seus projetos à frente do Tribunal, Zeca respondeu: “Vamos continuar todos os projetos e realizações de Fred. A administração de Fred tem o reconhecimento e a admiração de todos. Não vamos mudar nada.” Quem sabe, sabe.
4 – Voltando à poesia, pois hoje acordei romântico, me vem à memória as saudosas e imorríveis lapadas de pé de balcão na bodega de Luizinho, sempre acompanhadas com uma loa, como esta:
“Valei-me Nossa Senhora
Caiu uma lagartixa
É carne que não se come
É couro que não se espicha
Caiu porque não tem asa
Senhora dona da casa
Pegue um pau
E mate a bicha.
5 – A gente versava até em matemática:
Quinze, catorze com treze
Doze, onze, dez e nove
Diz a lama quando chove
No riacho do granum
Bicho preto é o anum
Que no bico traz um vinco
Oito, sete, seis e cinco
Quatro, três, e dois e um.
6 – E os eróticos?
O velho Mané Sinhô
Estava nu do deserto
Dormindo de cu aberto
Um bicho veio e entrou.
Saiu e depois voltou
E acha-se dentro enterrado.
Dizem que o bicho é pelado
Não tem perna, mas tem pé
Carrega o zovo num saco
E na falta de um buraco
Costuma entrar pelo cu.
Fazendo uma indagação
Me diga Napoleão
O nome de tal vivente
Que entra no cu da gente?
Napoleão respondeu
Ora está duro, ora está mole
Vomita o que não engole
E fica triste quando come.
Eu não sei dizer seu nome
Mas já dizia a velha Chica
Se a capa for de pelica
Formada da natureza
Pode contar com certeza
Que o nome do bicho é pica.
7 – E ainda tem essa:
Eu estava certo dia em São José
Escorado na entrada de um beco
Quando vi um jumento velho e seco
Agarrar uma burra canindé
Enfiou o cipó inté o pé
E ficou em cima mais de uma hora
E errou o lugar que o mijo mora
Chega a pobre da burra fez careta
Quando o bicho puxou a chapeleta
A roseta do cu ficou de fora.
8 – Voltando à Zé Limeira:
Quando eu era uma jumenta
No Vale do Piancó
O jumento de Creó
Vinha pega, mas não pega
Correu pra mais de uma légua
Bateu comigo no chão
Vinha um cavalo do cão
No bico dum avestruz
Para ser mãe de Jesus
Só Maria e outra não.
9 – Não poderia esquecer nessa madrugada o grande Lourival Batista:
Senti das paixões abalos
e desesperos medonhos:
sonhos, sonhos e mais sonhos
sem poder realizá-los.
Na fronte senti os halos
das auras da juventude
mas nunca tive a virtude
de dormir entre dois seios.
Não tive amores, sonhei-os
mas possuí-los não pude.
10 – E o velho Pinto do Monteiro?
O meu cavalo é dum jeito
Que nem o diabo aguenta,
Entra no mato fechado,
Toda madeira arrebenta,
Dá tapa em bunda de boi
Que a merda sai pela venta.
11 – E agora lá se vão meus abraços sabadais para Salviano Leite, Dedé Veras, Inaldo Leitão, Raimundo de Doca, Chico Pinto, Zé Alan Abrantes, Johnsim Abrantes, Ranieri Abrantes, Manuel Abrantes, Aristeu Chaves, Fred Menezes, Aldo Ribeiro, Dedé de Genésio, Frederico Virgulino, Alisson Filgueiras, Ivo de Lindolfo e Zé Carlos Carneiro.
12 – E para terminar, um velso de Otacílio Batista, o Principe da Poesia:
“Admiro o vagalume
Voando ao morrer do dia.
Desafiando a ciência
Que o homem na Terra cria.
Com um pisca-pisca na bunda
Sem precisar bateria.”




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