Porque hoje é sábado

1 – De vez em quando me bate o banzo das lembranças de tempos que o tempo teima em apagar. E revejo a mata imensa, fechada, com árvores enormes e bichos misteriosos. Vejo o ranchinho de palha, o fogão de lenha cavado no formigueiro e ao redor dele Chico Rôla a contar a saga do macaco engolido pelo leão e saido pelo outro lado a mangar da fera.

2 – A espera ao lado do olho d`água abrigava o atento caçador, que com sua lazarina preta acertava o tiro nas juritis, lambus, codornizes e siricoras que iam beber água nas primeiras horas do dia. E o caçador voltava com o bornal cheio de carne para a mistura da semana.

3 – A descida da serra era uma festa, a rua de terra batida tinha cara de mundo, as partidas de futebol no barro de um Cancão ainda virgem faziam a festa da meninada que se contentava com tão pouco, posto que pouco tinha para alimentar a sua fantasia.

4 – A Lagoa lamaçenta recebia os fatos dos bichos mortos no açougue, num tempo que bucho e tripa nada valiam. Os meninos lavavam a bosta dos bodes e dos porcos e levavam o produto de sua labuta para as mães que transformavam os sobejos em quitutes de variados sabores.E a pobreza fazia a festa em torno da mesa farta.

5 – O sol descia o morrro da Cascavel e a difusora anunciava, pela Ave Maria, que dali a pouco haveria projeção no Cine Santa Maria. Era a voz de Frei Terésio chamando Luiz Dedinho para a portaria do cinema.

6 – E Luiz, com a cara dura de sempre, derretia o coração ante a visão do menino pidão que queria ver a fita, mas não tinha o dinheiro da entrada. Ele, fingindo uma raiva que estava longe de sentir, mandava o menino entrar ligeiro para o vigilante padre não ver, e o menino corria com os olhos brilhando no escuro do cinema para assistir as lutas dos seus heróis que jamais morriam e a todos matavam.

7 – Por aquela rua imensa os casais passeavam de mãos dadas depois da missa de domingo, subindo e descendo, descendo e subindo, anunciando a felicidade proporcionada pelo amor que começava a aflorar em cada coração.

8 – E depois a rua se enchia de música dos Beatles, dos Incríveis, de Roberto Carlos, de Renato e Seus Blue Caps, seduzindo a todos para uma dança de rosto colado no Bar de Bartolomeu.

9 – Um deles não dançava. Preferia curtir suas saudades fazendo versos em papel de embrulho numa mesa do Bar de Seu Mirô. E como eram belos os poemas do poeta loiro, grandão e falante, o poeta Andrade, o poeta do amor!

10 – Depois das 11 da noite, a rua deserta anunciava o sono dos justos e o acordar dos boêmios com seus sons de serenatas ao luar.

11 – Mas como hoje é sábado, os abraços vão cheios de saudades para Antonio Gordão, João de Nadir, João de Mirô, Eudésia Leandro, Dinha Mariano, Nicinha de Zezim Ourives, Maria de Tozinho, Ilva Carvalho, Monica Barros, Nena Mandu, Tô de Seu Espedito, Antonio Lira, Alexandre Maia, Bebé de Japonês e Dil de Severino Almeida.

12 – O deputado Antonio Nominando Diniz, o velho, foi despertado de madrugada por uma caravana pessedista. Tinham participado de um comício, onde a aguardente foi fartamente distribuída.

Um deles gritou na porta de Nominando:

– Acorda, Princesa, para ouvir os clarins da vitória!

No mesmo dia, logo cedo, Diniz organizou uma concentração em frente a sua casa. Em seu discurso, explicava o otimismo dos adversários:

– Essa noite, fui despertado por uma voz estertórica que dizia: acorda Princesa, para ouvir os clarins da vitória. Mas, senhores, não eram os clarins que anunciam o triunfo, e sim as excelências do produto de Vitória de Santo Antão, sumo dos canaviais e alma das garrafas: a aguardente Pitu.”

9 Comentário On Porque hoje é sábado

  • Tião, hoje você amanheceu saudoso e foi buscar muito longe uma Princesa onde nasci e permaneço até hoje com meus 66 anos de idade. Meus amigos de infância desapareceram, foram para longe e não tenho sequer notícias. Por onde anda Bebé de Japonês ?

  • ACABOU A MAMATA?

    The Flash: Bolsonaro chama pergunta de “idiota” e encerra entrevista após 50 segundos

    Publicado em 26 julho, 2019 11:25 pm (DCM) De Luciana Lima no site Metrópoies.

    Durou 50 segundos exatos a entrevista que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) daria, na noite desta sexta-feira (26/07/2019) após sair da solenidade de formatura de aspirantes e oficiais da Polícia Militar de Goiás, em Goiânia, na qual um sobrinho, Luiz Paulo Leite Bolsonaro, se graduou.

    Logo na primeira pergunta, sobre o uso de helicóptero da Força Aérea Brasileira (FAB) por familiares para ir ao casamento do “filho 03”, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o presidente encerrou abruptamente a entrevista, logo após dizer que a pergunta da repórter do jornal Folha de S.Paulo era “idiota”.

    “Peraí… Dá licença estou num evento militar, tem familiares meus aqui, eu prefiro vê-los do que responder uma pergunta idiota pra você. Tá respondido? Passa para outra. Outra pergunta por favor. Vamos falar de Brasil e de Goiás. Já sei qual é tua pergunta”, disparou o presidente, irritadíssimo.

    A próxima pergunta, todavia, voltou a ser sobre o caso, quando os demais repórteres presentes à entrevista improvisada na saída do evento questionaram o motivo de ele se recusar a falar sobre o caso. Foi então que Bolsonaro encerrou a entrevista, entrou no carro que o esperava e foi embora.

    (…)

  • Será que o Luciano Hulk já começou a apagar posts e fotos com o pessoal da XP?
    A lista só aumenta! Começou com o cara da academia de ginástica, passou por
    outros tantos, passou por Aécio Bon Vivant, e……. quem será o próximo?

  • DO EDITORIAL DA FOLHA, HOJE, SÁBADO.(Publicado pelo DCM)

    Causam espanto os movimentos do ministro da Justiça, Sergio Moro, em meio às investigações dos ataques de hackers ao seu telefone celular e aos de outras autoridades.

    Na quarta (24), um dia após a prisão de quatro suspeitos de serem os responsáveis pelos crimes, o ministro veio a público para vinculá-los ao vazamento das mensagens de procuradores da Operação Lava Jato que o site The Intercept Brasil começou a publicar em junho.

    Na quarta (24), um dia após a prisão de quatro suspeitos de serem os responsáveis pelos crimes, o ministro veio a público para vinculá-los ao vazamento das mensagens de procuradores da Operação Lava Jato que o site The Intercept Brasil começou a publicar em junho.

  • CONTINUAÇÃO DO EDITORIAL DA FOLHA:

    “Como as investigações ainda estão em andamento e são conduzidas oficialmente sob sigilo pela Polícia Federal, as evidências que poderiam sustentar a insinuação de Moro eram desconhecidas.(…) As ações de Moro podem parecer compreensíveis para muitos, considerando os danos causados pela divulgação das mensagens à sua reputação e os indícios de que o ataque teve de fato grande alcance. Entretanto elas representam intromissão injustificável no andamento das investigações.(…)

    Ao buscar informações sobre uma investigação sigilosa e usá-las para difundir conclusões prematuras e confundir o público, o ministro da Justiça desrespeita essa autonomia, prejudica o trabalho policial e compromete aquele que deveria ser seu único objetivo —o esclarecimento dos fatos.

  • MORO DESMANCHA

    Por Fernando Brito. 27/07/2019

    A gula pecuniária de Deltan Dallagnol, já é uma certeza, derrubou o procurador e é só uma questão de tempo e de grau o seu afastamento de suas funções.

    A gula política de Sérgio Moro, mais cedo ou mais tarde, também o levará à ruína e, já agora, o transformou num personagem em desagregação.

    Sua maneira arbitrária e abusiva em conduzir-se na função pública, para os que não o percebiam ou fingiam não ver, por conveniência, aflorou de tal maneira neste caso Vaza Jato/hackers que o reduziu – assim mesmo a contragosto de alguns – apenas ao campo do bolsonarismo mais incondicional.

    O pavão de toga agora tem pouco mais que os “pavões misteriosos” da internet.

    Do futuro brilhante de potencial candidato a presidente ou a cátedra “garantida” no Supremo Tribunal Federal restam apenas saudades, talvez apenas nele próprio e nos grupos que ele reuniu em seu projeto de poder, no Ministério Público, na Justiça e na Polícia Federal.

    Cevado pela mídia para construir a derrocada da esquerda, perdeu a unanimidade e só é herói nacional para os grupelhos minguantes dos camisas amarelas.

    Era previsível, sendo ele a bananeira que já deu cacho – e que cacho, a prisão de Lula e a absurda eleição de Bolsonaro! – e não tem perspectivas adiante, senão a de murchar.

    Moro já não é mais algo que agregue na política: um projeto de poder.

    Ao contrário, virou um apêndice do bolsonarismo que pretendeu suceder.

    Pior: perdeu a blindagem perdeu a capa de herói que tinha na opinião pública e na imprensa e tudo o que faz, agora, se evidencia como desespero de quem luta pela sobrevivência.

    “Moro está encurralado. E homens encurralados e afoitos sempre fazem besteira. Ele está fazendo uma atrás da outra”, diz dele hoje no Painel da Folha o deputado Marcelo Ramos, do Centrão.

    Moro as fez e perdeu o campo de força da quase unanimidade que o protegia.

    Está sem suas vestes de herói, sem o manto que o protegia.

    Não tem mais como resistir a dois ou três fatos que venham à tona, preparando o que, inevitavelmente, será o golpe de misericórdia.

  • Da coluna Painel, da Folha, da jornalista Daniela Lima

    Ladeira Abaixo.

    A revelação pela Folha e pelo The Intercept de que Deltan Dallagnol deu palestras a empresas citadas na Lava Jato ampliou o desconforto com o chefe da força-tarefa. Nomes da elite do MPF descreveram os relatos como “constrangedores”, por explicitarem “ganância e busca de notoriedade”. O fato de Deltan ter recebido para falar à Neoway deve ser alvo de nova ação no CNMP. Não é boa notícia para ele. A PGR foi informada de que já há maioria para abrir um procedimento contra o procurador.

  • Eita Tião, hoje tá com a gota tenho 3.8, não te conheço, ainda não visitei Princesa, mas viajei no pensamento.

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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