Quem vai enxugar as lágrimas de Gilberto Carneiro?

Não vou atribuir a ninguém culpa pelas lágrimas derramadas por Gilberto Carneiro diante do seu pai moribundo. Gilberto é apenas o filho que ama o pai e por ele chora.

Eu chorei pelo meu.

Falo das lágrimas de Gilberto porque elas me tocam, me atingem. Ele é meu amigo e quando um amigo meu sofre, eu sofro também.

Mas, por que vim aqui falar disso?

Respondo a mim mesmo:

Até bem pouco tempo o pai de Gilberto era um baiano forte, sorridente e sadio. O conheci. Não era homem de se dobrar a uma gripe qualquer, a uma febre besta, a um incômodo de vida.

Mas ele, como pai, deve ter seus motivos para ficar doente.

Principalmente num mundo cruel e desumano como esse nosso, habitado por tradicionais destruidores de reputações, por vestais que sentem orgasmos repetidos quando jogam lama na biografia do vizinho.

Meu amigo Gilberto Carneiro foi vítima dessa destruição.

Estraçalharam a sua vida, rasgaram a sua biografia e o condenaram sem julgamento.

Invadiram sua família numa busca e apreensão até hoje não explicada, mas o fizeram com o alarde do escândalo. Até drone foi escalado para filmar a sua privacidade.

E de repente Gilberto, sem ser réu em nada, virou assombração, sem direito a voz, a imagem e a telefone.

Qual pai resistiria a tamanha pressão?

O pai de Gilberto luta pela vida. Está entubado e inconsciente, bafejado pelas lágrimas do filho injustiçado.

Uma família se esforça para juntar os cacos, crianças inocentes se submetem a execração da escola, mas os urubus continuam balançando as asas, querendo carniça.

5 Comentário On Quem vai enxugar as lágrimas de Gilberto Carneiro?

  • Grande Gilberto. Força. Tudo passa.

  • Parabéns por ser um amigo de verdade, das horas boas e especialmente das não tão boas!
    Isso se chama caráter!

  • Meu caro Tião, meu caro Gilberto,

    texto sincero, sofrido, amigo. sinto. não queria nem desejo para um amigo viver um estado assim. toda a minha solidariedade. sei do silêncio sofrido. doído. senti-me um dia assim. engoli as palavras e mastiguei o meu silêncio. não me engasguei com ele. contive-o na garganta. um dia, pensei, ele falará. gritará. dirá o que as palavras nesse momento seriam incapazes de dizer.

    dói. sei. e muito. disseram um dia que é muito mais fácil acusar que defender, como é mais fácil causar um ferimento que curá-lo. mas o tempo, bom gilberto, amigo, pois, sendo amigo do meu bom amigo tião também é amigo meu, disso se encarregará de deixar depois que a caravana passar. nada de perdoar ou esquecer. esse em especial. passa. tudo.

    o velho pai sabe do bom filho que tem. o seu sofrer, que daqui torço que seja passageiro e será, nada tem a ver nem ouvir e nem falar por desacreditar na educação que deu ao filho. ficas tranquilo. homem como ele morre de velho, nunca de vergonha pela sua história e a dos seus. a voz. tens direito. mereces. essas vozes que gritam, quase sempre, meu amigo, não vem com a razão.

    a minha solidariedade. um solidário putabraço deste mb.

  • Ricardo Antônio Henriques Tavares

    Não vi processo e nem condenação, estamos esperando,no final a verdade sempre aparecerá.

  • Força a Gllberto e seu pai, em breve a verdade virá a tona e todos estarão sorrindo novamente, tudo é no tempo de Deus!!!

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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