Quer ser bom? Morra!

Juro que estou preocupado.

Ainda ontem perguntei a Chico Pinto se a senha dele vem antes ou depois da minha.

Mas a preocupação maior é com o pos morten.

Lendo o que andam dizendo sobre os nossos defuntos mais recentes, fico a me perguntar se isso acontecerá comigo também.

Nelson Coelho morreu de depressão.

Tinha câncer, é certo, mas a depressão ajudou a matá-lo.

Pois não é que Nelson virou herói depois de morto?

Fazia tempo que ninguém falava dele ou sobre ele. Uma vírgula sequer era escrita sobre Nelson. Jogaram o homem na vala do esquecimento e somente souberam da sua existência quando sua existência deixou de existir.

Logo Nelson, o amigo dos imortais da Academia Brasileira de Letras, o paparicado presidente de A União, o feitor de livros e presença obrigatória nas sessões literárias da terrinha.

Se bem que o destronaram da Academia Paraibana de Letras, porque na Academia Paraibana de Letras só entra quem é benzido pelos jasmins dos iluminados.

Mas agora Nelson é o tampa, é o amigo do peito, é o benfeitor, é o escritor, é o crítico, é o cão chupando manga.

Grande consolo para quem foi esquecido em vida e morreu de depressão.

Por isso estou preocupado.

Imagina se eu morro e aparece aquele povo que “me ama” hoje, dizendo que eu sou a bala que matou John Lennon!

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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