Por GILBERTO CARNEIRO
EXISTE uma diferença básica entre os conceitos de Soberania e Independência. Nas palavras de Pedro Rossi, enquanto o primeiro é definido como a capacidade efetiva de uma sociedade decidir sobre seu futuro, seu território e seus recursos, a Independência é a ausência de submissão jurídica a outro Estado e pode ser proclamada em um dia, ao passo que a soberania precisa ser exercida permanentemente.
E o que está por trás do forte movimento de ascensão da extrema direita na América Latina? A doutrina Monroe, estratégia usada pelo governo Trump para intimidar os países latinos ao afirmar que “o domínio dos EUA sobre a América nunca mais será questionado”, numa clara ofensiva ao Sul Global, conceito geopolítico e socioeconômico que agrupa países em desenvolvimento da América Latina, da África, da Ásia e da Oceania.
Como se sabe o termo Sul Global atualiza e substitui termos antigos como “Terceiro mundo” ou “países subdesenvolvidos”, buscando uma visão de protagonismo e resistência de nações que, historicamente. compartilham um passado de colonização, exploração e desigualdades herdadas do imperialismo. O termo não se baseia apenas na localização no hemisfério sul, abrange também nações ao norte do equador, como a Índia e exclui países ricos do hemisfério sul, a Austrália. Reúne tanto algumas das populações mais vulneráveis do planeta quanto economias gigantescas e em forte expansão, a exemplo dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
Um país pode ter bandeira, governo e fronteiras próprias e, ainda assim, ver suas escolhas condicionadas por potências estrangeiras, credores, mercados financeiros e empresas transnacionais. O Brasil há muito resiste à Doutrina Monroe, no entanto, a conjuntura atual é extremamente grave em razão de Washington encontrar aliados internos na América Latina para exercer sua pressão e abranger sua área de influência. Na Argentina, Javier Milei transformou sua proximidade com Trump em eixo de política externa e em instrumento de sustentação de seu governo. No Paraguai, Santiago Peña chegou a defender publicamente a retomada da Doutrina Monroe e apoiou ações militares dos Estados Unidos na região. No Equador, Daniel Noboa tentou autorizar novamente a instalação de bases militares estrangeiras, mas foi derrotado pela população em referendo. Na Venezuela, o sequestro de Nicolas Maduro pelo governo Trump forçou o governo interino de Delcy Rodriguez a fechar um acordo bilionário com os EUA, beneficiando-o com acesso a 65 bilhões de barris em petróleo e exploração pela empresa americana NABEP, de 17 campos de petróleo, representando um quinto de todas as reservas venezuelanas, consideradas as maiores do mundo.
O Brasil é a bola da vez. A disputa pelos minerais críticos é emblemática. Terras raras, lítio e grafita são insumos indispensáveis à inteligência artificial, à transição energética e à indústria de defesa. Por isso, os EUA intensificam sua ofensiva sobre as reservas latino-americanas, em especial o Brasil, que é considerado “o último dos moicanos” em razão da forte resistência do governo LULA na luta pela preservação da soberania brasileira.
Em razão dessa RESISTÊNCIA uma nova forma de ocupação colonial está em curso através de ingerência eleitoral por parte do governo Trump nas eleições presidenciais brasileiras. O apoio financeiro norte-americano à campanha de Flavio Bolsonaro está sendo nos mesmos moldes que ocorreu na Argentina, que foi marcado por interferência explícita no processo eleitoral argentino.
Votar em Flavio Bolsonaro é, em última instância, destruir a última trincheira de resistência ao poder de influência e pressão do governo TRUMP sobre a América Latina e, em definitivo, acabar com a soberania do nosso país.




Sem Comentários