Teve até dedada no banquete dos desesperados

Meus amigos, fiquei sabendo que o pau comeu na madrugada que antecedeu a aurora boreal.

Mesmo com o adiantado da hora, o grupo foi convocado para uma reunião de emergência, mas o que se viu, depois da terceira meiota, foi empurrão, nome feio e dedada para todos os gostos.

Era um desespero medonho.

Ninguém se entendia, ninguém se fazia entender.

Tudo por causa do tiro saído pela culatra.

Haviam planejado uma coisa e deu outra.

E foi então que a vaca foi pro brejo.

-A culpa é tua, Franjinha -, acusava o chefe.

-Minha mesmo não. A culpa é dessa desvairada que esculhamba até com a mãe do cão -, revidou Franjinha, magoado e fazendo beicinho de choro.

Maria do Empório, acostumada a não levar desaforo pra casa, mandou bala de lá do outro lado da mesa:

-Néra você que se dizia craque em tudo, até em fazer dinheiro voar pela janela? Cadê que deu jeito?

O moderador do encontro, apelando para seus conhecimentos mediúnicos e kardecistas, pedia calma e ameaçava:

-Se continuarem assim, vão pra dedada .

-Não cutuque não que eu termino gostando -, confessava, cândido, um jovem até então esquecido e relegado ao mais longínquo ponto da mesa e que atendia pelo nome de Anjinho do Catolé.

O caldo engrossou quando um bispo da Igreja Brasileira adentrou no ambiente e, vendo o grupo reunido, bradou pra todos escutarem:

– Aí está o banquete dos desesperados -.

O primeiro tamborete pegou na cabeça do garçom. O garçom com raiva tascou a bandeija nos peitos do chefão, que revidou atirando uma empada na bunda de Maria do Empório, que, na queda, enfiou a unha no fiofó do caro colega.

Um verdadeiro SU.

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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