A arca brasileira

Marcos Pires

Deus mandou uma mensagem via watsapp para Noé determinando que ele construísse uma arca para salvar o povo brasileiro porque iria mandar muita chuva. Noé apavorou-se e clamou aos céus: “- Mas por que logo eu, Senhor?”. O Messias tonitruou (nos filmes antigos Deus fala assim): “- És um homem de bem, um pouco sem juízo, mas determinado, e serás tu o salvador desse povo. Aliás, até meu nome trazes no meio do teu”.

Aquilo desencadeou uma confusão enorme na família, porque os meninos do seu Noé, muito voluntariosos, queriam a todo custo assumir esse trabalho.

Foi necessário que Deus designasse um anjo da guarda, desses bem barrocos, para ajudar na empreitada. E foi muito claro; qualquer problema deveria ser repassado ao PG, apelido carinhoso do anjo.

Ocorre que os fornecedores do material que construiria a arca desconfiavam do juízo daquela família e não iriam vender a prazo sem saber se realmente receberiam seus pagamentos. Aí provou-se a sabedoria divina ao designar o anjo da guarda, porque uma vez apresentado o PG para eles, houve confiança no projeto.

Com o passar do tempo, notando o Senhor que a construção não fluía como seria necessário, resolveu mandar um aviso. Fez chover em João Pessoa, cidade do sol, mais de 500 mm em poucos dias. Isso serviu de alerta, e através de muitas e custosas negociações, foram sendo ajustados vários compromissos com os trabalhadores que iriam ajudar o seu Noé a construir a arca.

No entanto, quando os trabalhadores depois de muito discutir o projeto da arca fizeram suas correções e mandaram de volta, houve uma reação inusitada do anjo da guarda: “- Seu Noé, desse jeito essa arca está igual a casamentos e submarinos, que podem até flutuar no início, mas foram projetados para afundar. Assim não vai dar certo. Se não voltarem atrás eu bato minhas asas e vou embora”.

Noé entrou em pânico e voltou a suplicar aos céus: “- Senhor, tende piedade de nós. Não mandes o diluvio para acabar com tudo”.

Ao que Deus respondeu: “- Precisa de diluvio não, Noé. Com a qualidade dos trabalhadores que estão cuidando desse projeto eles mesmos vão acabar com tudo”.

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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