A BATALHA DE SERRA TALHADA

Existe imprecisão na data do acontecido, mas ninguém duvida do fato em si. Aconteceu e o palco do acontecimento foi a valente Serra Talhada, terra natal de Lampião, o Rei do Cangaço.

Um time de Princesa Isabel se apresentou no campo da cidade disposto a enfrentar o poderoso selecionado de Serra Talhada. Era tarefa considerada dificilima, em razão do ótimo futebol praticado pelos serratalhadenses e por causa da intimidação que a valentia do povo de lá impingia aos adversários.

Naquele jogo célebre não foi diferente. Os 90 minutos foram de pura pressão. Um sujeito parrudo, com jeito de Tarzan, encarnou em Paulo Mariano, dando-lhe todo tipo de bordoada, cuspindo-lhe na cara, fazendo o diabo. Paulo aguentou enquanto pode, mas como não tinha sangue de barata correndo em suas veias, a certa altura deu-lhe o troco em forma de uma sonora canelada que levou o provocador ao chão.

O jogo continuou e no final deu empate.

Hora das confraternizações entre atletas. Cumprimentos, apertos de mão, de repente o Tarzan aproximou-se de Paulo, estendeu a mão esquerda e quando Paulo curvou-se para apertar, levou um soco na cara. Soco da peste, daqueles que derruba e deixa o caído moído.

Quando Paulo caiu, de braços estendidos, sentiu sua mão agarrar um paralelepipedo. Segurou-o, levantou-se e plantou a pedra na cara do agressor, que foi ao chão estrebuchando feito um bacurim à beira da morte.

Os outros permanbucanos foram pra cima de Paulo. Foi tapa de todo tamanho. Os companheiros de Princesa sumiram, não se solidarizaram com o colega. Minto, Cicero Boião, dono da caminhoneta que transportou o time, jogou o carro sobre a guerrilha e puxou Paulo pela mão, jogou-o dentro do veiculo e partiiu em desabalada carreira. Deixou Paulo num matagal existente a dois quilômetros de Serra Talhada e voltou para pegar o restante do pessoal.

Paulo, com medo de ser visto, tirou a roupa e ficou nu, alumiado pelos clarões da lua. Até que chegou Cicero Boião e a boiada de frouxos. Paulo entrou no carro, alguém lhe cedeu um pano para cobrir as partes pudendas e o motor roncou em demanda de Princesa.

Quando já haviam passado de Jericó e entrado nos aceiros da cidade, o craque Cotoco mandou Cicero parar a caminhoneta. Cicero parou, Cotoco levantou-se e gritou a plenos pulmões:

-Apareçam agora, seus cornos!

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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