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A festa de Malvino

2 de julho de 2023

Estive ausente de João Pessoa desde o começo do mês e perdi a festa de Malvino.

Pelas fotos de Gutemberg Cardoso, foi festa para se lembrar por muitos anos.

Aliás, Gutemberg tem se revelado um festeiro da marca maior. Onde tiver um forró, um aglomerado, um almoço festivo, ele estará presente. Só perde para Padre Albeni, mas Albeni é hour concours desde o tempo em que, mais moço, varava as madrugadas perambulando pelos restaurantes da vida.

Mas eu falava da festa de Malvino.

Vi o amigo nas imagens. Finalmente assumiu os cabelos brancos. Agora Manoel Raposo está sozinho na buraqueira. E eu dou graças. Já pensaram no prejuízo para os fabricantes de tintas se Raposo, como Malvino fez, mudasse a cor da sua cabeleira?

Malvino chegou por aqui há muito tempo. Estivemos juntos na antiga Arapuan, no tempo de Antena Polícia. Ele cobria a Assembleia e lia as notícias ao lado de Sílvio Carlos. Eu escrevia o comentário do dia que Sílvio lia e depois, com a saída de Sílvio, Malvino passou a ler.

Éramos jovens, fazíamos peraltices. Uma delas lembro até hoje. Informamos ao distinto público que o deputado Wilson Braga estava convocando a população para receber dinheiro. Ele estaria distribuindo. No dia seguinte, um irado Wilson se queixou à Direção da emissora, que deixou por isso mesmo.

Não havia ainda, como há hoje, a indústria dos danos morais. O jornalista não era obrigado a amordaçar a boca para evitar os processos. Hoje está tudo mudado. Dano moral virou negócio, fonte de renda.

Depois disso, eu e Malvino nos juntamos para escrever causos políticos e de políticos. Escrevemos quatro livros, todos esgotados. Viajamos para Salvador e Brasília e em todo lugar que chegávamos, a casa enchia. Sim, também fizemos um lançamento em Princesa. A festa durou a noite toda, com direito a conjunto musical e a discursos.

Gostaria de estar na festa de ontem. Ando meio arredio, durmo cedo. Costumo dizer que durmo com as galinhas e acordo quando o galo canta. Mal de velho. Peça a Deus, leitor, para sofrer desse mal. Porque senão você será catalogado na categoria dos “morre cedo”.

A festa de Malvino me fez descobrir que ele é mais novo do que eu. Se não fosse isso, me enquadraria naquele causo do matuto que, ao saber que seu interlocutor completara 70 anos e ele, que mal chegara aos 69, avisou ao aniversariante:

– Você tá com setenta e eu cumeno”.

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