Antigamente era assim – I

 Nos anos 70 nossa capital só tinha baladas aos sábados. As noites das sextas feiras eram conhecidas no meio masculino como sextas sem lei, porque as “patroas” liberavam os maridos para irem com os amigos aos bares. Vez por outra rolava um chifrezinho básico. Tive conhecimento da existência do caderninho de recordações de uma amiga que registrou tudo o que viu e viveu à época. A sapeca deu-se ao desplante de atribuir notas ao, como direi… desempenho dos mancebos que conspurcavam os sagrados laços dos seus matrimônio com ela. Ainda é viva e disse que vai me mandar o tal caderninho.    Mas quero iniciar a série falando da boate do Elite bar. Na verdade, tratava-se de um belíssimo complexo de bar, boate e restaurante. Tinha de um tudo; luzes estroboscópicas, luz negra (que servia para identificarmos quais garotas usavam dentes postiços) e um som incrível.

   Naquela época eu era um garoto (que amava Beatles e Rolling Stones, claro) muito taludo, com pais milionários que financiavam todos os meus desejos. Com 14 anos já tinha carro próprio e descobri um truque para namorar as moças que frequentavam a boate, todas mais velhas. Comecei a andar com os bonitões da época, L.B. e S.Q., de uma faixa etária digamos…superior à minha e com eles ia à boate. Eles descolavam as garotas mais bonitas e sempre sobrava uma amiga feiosa para o “pirralho” aqui, né?

   Lembro de um sábado em que eu havia levado à boate uma linda carioquinha recém-chegada a João Pessoa. No meio da noite o jovem L., que quando bebia incorporava Lampião, sacou a arma para atirar em meu amigo P.E. que estava na mesa ao lado da nossa. Minha galeguinha apavorou-se e saímos correndo da boate. Atravessamos a rua e fomos para uma lanchonete, onde eu tentei acalmar a lindinha. Ocorre que nesse interim meu amigo P.E. desarmara o brabo, retirara as balas do revólver e devolvera a arma ao valente, em quem dera uns cascudos. O jovem L. correu para o local onde estávamos e ouvimos o seguinte diálogo: “- Ô seu fulano, por favor o senhor pode me emprestar uma bala para eu matar um safado ali?”. A resposta: “- Infelizmente só tenho uma bala, mas é para atirar em sicrano, que abriu um azar ontem aqui na lanchonete”.

   Nunca mais reencontrei minha carioquinha, que voltou apavorada para o Rio de Janeiro na manhã seguinte.

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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