As mulheres da minha vida

Os mais apaixonados dizem que todo dia é dia da mulher, e eu concordo. Mas, fixar um dia especial para homenageá-la, é mais do que justo. Hoje, por exemplo, não vou deixar dona Cacilda pregar um botão, lavar um prato ou espiar para a cozinha. Hoje é dia de folga para ela e deveria ser para todas as mulheres.

Aí vai aparecer alguma feminista para dizer que estou sendo machista. Vá lá que seja, mas não há como negar esta realidade: a mulher, além de trabalhar lá fora, é dona de casa, mãe, avó e esposa. E toma para si as tarefas domésticas. E quando alguma colega não faz assim, recebe logo o nome de imprestável.

Mas eu comecei estas mal traçadas linhas para falar das mulheres da minha vida.

E eu as tenho.

A começar por dona Emília, minha mãe.

Foi a maior mulher do mundo.

Teve 13 filhos, dos quais se criaram nove. Todos eles em casa, contando com a ajuda das parteiras Mãe Filó e Mãe Preta.

Sábia, distribuiu o mesmo tanto de amor para todos eles. Nunca nenhum se queixou de receber menos mimos do que os outros.

Enfrentou dificuldades, secas, invernos rigorosos, a solidão da viuvez e até morrer, sempre apareceu diante dos filhos e do público em geral com um sorriso nos lábios.

Hoje eu sinto uma saudade enorme dela.

Aí vem dona Cacilda, minha esposa, minha companheira de 40 longos janeiros.

A conheci menina, tinha 15 anos, eu mais taludo, já com 21. De vez em quando me pego pensando que, involuntariamente, fui um pedófilo.

Mas que nada! Fui um apaixonado de primeiro instante.Tanto fui que três anos depois, ela com 18 e eu com 24, estávamos diante do Padre Trigueiro trocando alianças e jurando ficar juntos até o fim da jornada.

E então se passaram 40 anos.

Ela aguentou um rojão pesado.

Os primeiros tempos foram difíceis.

Nem carro tínhamos.Nem carro, nem casa.

Juntávamos os trocados para fazer a feira.

E a menina que se tornou mulher, transformou-se num exemplo de superação.

Nesse período, vieram os filhos. E novas mulheres a povoar meu espaço.

A primeira filha, Niâni, a cara da mãe em tudo: na boniteza, na superação, no jeito de ser mãe e de ser mulher.

E as netas Emília, Priscila e Mariana completaram o time.

Sou, não nego e não tenho porque negar, um homem feliz.

Tive uma mãe incomparável.

Tenho uma esposa linda que me sustenta nas horas de aperto e que me dá amor incondicional.

Tenho uma filha que me enche de orgulho.

E três netas lindas, a cara do avô.

Posso exigir mais da vida?

2 Comentário On As mulheres da minha vida

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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