As primeiras do dia

Participei de muitas eleições na API. Ganhei várias, perdi outras, como é normal na democracia. Nesses 40 anos de jornalismo, porém, nunca vi uma eleição da API ir parar na justiça. O jogo do tapetão sempre foi exercido pelos políticos profissionais, pela política partidária. Agora chega à Associação Paraibana de Imprensa para desgosto dos que aprenderam a ver a API como o último bastião da liberdade.

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Para entender o caso: Os dois candidatos em disputa pela Presidência da API se conhecem pessoal e administrativamente. A candidata da oposição é a atual vice do candidato à reeleição. Juntos foram eleitos há três anos e juntos administraram a Associação até recentemente.

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Ocorre que a vice atual foi picada pela mosca azul. Botaram na cabeça dela que ela teria condições de ser a titular. Um grupo de chamadas estrelas do jornalismo entendeu que João Pinto é matuto demais para ser um líder e que a API tem de voltar a ser aquela entidade que elege presidente para catapultar o presidente eleito a cargos mais vantajosos.

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Em passado recente, presidente da API geralmente era escolhido para ser secretário de Estado, diretor de jornal oficial, assessor do Tribunal de Justiça e por aí vai.

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João Pinto, naquela simplicidade franciscana, quebrou essa rotina e melindrou a turma. A turma melindrada, então, resolveu tirá-lo da Presidência pelo voto. Escolheu a vice, uma professora universitária que, apesar de vice presidente da entidade, nunca sentou num bar da fava para tomar uma com a turma, jamais perdeu tempo defendendo um companheiro ultrajado pela violência policial ou civil e sequer é conhecida pelos colegas associados. Não importava. Os donos da candidatura seriam eles e não ela.

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Aí descobriu-se que o buraco era mais embaixo. O simples, o matuto, o sem jeito João Pinto mostrou-se um cabra jeitoso, conciliador, bem quisto. E o cordão de João Pinto foi crescendo, na mesma medida em que encurtava o cordão da vice presidente.

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A surra ia ser grande, enorme. A turma ia ficar totalmente desmoralizada. Seria uma Alemanha versus Brasil de 2014. Por isso o tapetão, a liminar para procrastinar o pleito e se tentar, nesses trinta dias, uma virada de mesa.

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Esta é a verdade sobre o que ocorre na eleição da API.

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E o resto é conversa bonita de quem defende a liberdade de escolha e na prática é mais ditador do que qualquer ditadorzinho desses da América “latrina”.

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Ao amigo Clodoaldo Oliveira a solidariedade de seus amigos da imprensa. A dor de um pai não se  mede nem se pesa.

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Imputa-se um crime ao prefeito Douglas Lucena que é cometido em larga escala por outros prefeitos de cidades mais poderosas e que, nem por isso, são castigados, sequer citados, jamais intimados.

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Prefeito de Princesa anunciando o pagamento do salário do servidor dentro do mês, como sempre.

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Inté.

9 Comentário On As primeiras do dia

  • cicero de lima e sousa

    É lamentável.

  • Na ação contra a Chapa 1, os 100 sócios que ela alega, mudaria o resultado?

  • A eleição para presidente da API já está ficando mais acirrada que as disputas dos politicos,
    A eleição para uma entidade que representa uma classe de formadores de opinião é sempre
    permeada pela política. Imagina em plena época eleitoral!
    Eu torço pelo João Pinto!

  • A REPRODUÇÃO TEXTO ABAIXO É DEDICADA AOS “ZÉ BUNITIN” ESPALHADOS POR AÍ.

    PUBLICADO NO FACEBOOK DO AUTOR E REPRODUZIDO PELO 247:

    Afrânio Silva Jardim explica o pobre de direita

    “Somente a ignorância pode explicar o motivo pelo qual uma pessoa pobre possa ser contra uma sociedade mais justa, onde todos tenham condições concretas para usufruir uma vida digna”, diz jurista Afrânio Silva Jardim, professor associado de Direito da UERJ

    Afrânio Silva Jardim, em seu facebook – Em uma sociedade socialista, só perdem os ricos e os muito ricos.

    Em uma sociedade socialista, ganham todos os que não são ricos ou muito ricos.

    O fato de, na realidade prática, não se ter conseguido até hoje alcançar uma perfeita justiça social, não significa que a teoria seja errada. Apenas significa que os conhecidos defeitos do ser humano não permitiram implantar corretamente as boas ideias que ele mesmo criou para transformar a indesejável realidade social.

    A história tem demonstrado que os detentores do poder econômico não têm permitido a evolução das sociedades em prol do socialismo, o que acaba resultando em violências políticas por ambos os lados.
    Entretanto, ainda julgamos válida uma nova tentativa, o que permitiria a implantação de um verdadeiro socialismo democrático.

    Assim, talvez possamos ter no futuro uma sociedade mais igualitária, sem que se suprimam as liberdades fundamentais, importantes para o integral desenvolvimento das personalidades individuais.

    Agora, respondo à pergunta que é o título deste texto: somente a ignorância pode explicar o motivo pelo qual uma pessoa pobre possa ser contra uma sociedade mais justa, onde todos tenham condições concretas para usufruir uma vida digna.

    Importante esclarecimento: uso aqui a palavra “ignorante” não no sentido pejorativo ou ofensivo, mas no sentido de não terem as pessoas o conhecimento teórico que lhes permita perceber o processo de exploração a que estão submetidas em uma sociedade de economia liberal.

  • Tião, eu era membro do Conselho da API e nunca fui convidado a participar de qualquer reunião para eleger comissão de sindicância. Sei que depende de parecer da comissão de sindicância a admissão de novos sócios. Sei que muitos novos sócios foram admitidos. Deve ser por isso que a chapa adversaria está reclamando. Dou a informação mas não entro no mérito. ab

  • Interessante amigo, vc defender tanto um presidente que quer se eternizar no poder, somos a favor da alternância de poderes e agora temos a chance de eleger uma mulher mais matuta do quem vc defende Tião, lá do Vale do Piancó. Que conseguiu chegar aonde chegou através do estudo. Ela é filha a simples funcionário público Municipal e de uma dona de Casa.

  • Tenho visto o pré -candidato da oposição Lucélio Cartaxo falar do descaso do governo do estado em relação ao esquecimento das cidades adversárias do OAB, e em todos os blogs, portais de notícias e rádios da Paraíba, ele só divulga, estarrecido, a paralisação de uma obra na cidade de Matinhas. Ora, o governo de Ricardo Coutinho tem obras efetivas em 222, dos 223 municípios da Paraíba, e como o pré-cadidato oposicionista disse que já percorreu todo o estado e só encontrou essa irregularidade, ésinal que o governo é nota 10.,

  • Essa mosca azul quando pica , o primeiro sintoma é crescer os olhos.

  • Ronildo, ele está indo para reeleição, agora, o secretario geral da chapa de Sandra, Land Seixas faz 30 anos que está no sindicato, aí eu te pergunto: que diabo é essa tal de alternância.

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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