As primeiras do dia

Todo mundo teve uma noite de natal, inclusive eu. Melhor dizendo, nós. Eu e dona Cacilda. Nossa noite de natal foi muito ótima demais. Ela, caprichosa como sempre, fez um jantarzinho altamente saboroso, que nós comemos com vinho de Portugal, o tal Rapariga da Quinta, depois lavamos os pratos, palitamos os dentes e fomos dormir.

**

Natal pra mim é meio carregado, porque lembra a morte de papai. O velho morreu numa véspera de natal. Penou três dias e três noites e amanheceu o 24 de dezembro morto. O resto do dia a gente gastou transportando o corpo pra Princesa, onde chegamos na boquinha da noite. E o enterro se deu no dia de natal, com direito a discurso de João Mandu.

**

Dia 31 é outro dia carregado. Era nesse dia que o velho Cabral, meu sogro, fazia questão de reunir a família para comer carne assada e ouvir o tradicional discurso de rompimento, no qual ele dizia que mais um ano se findara e ele não queimara o “fuzi”.

**

Terminou queimando e deixando a lacuna da data pra gente curtir a saudade dele e de seu discurso.

**

A TV mostrou chuva no sertão e no cariri. As imagens encheram os olhos. A água caindo, as ruas inundadas e o povo fazendo festa.

**

Eduardo Mayer passa o natal em Bananeiras ao lado da esposa, dos filhos, dos genros e dos netos.

**

Fátima Bernardes veio curtir a formatura do namorado em Campina Grande.

**

Bonner não sabe o que perdeu.

**

A veínha tá aprumada.

**

Anunciando aqui na telinha:” Hospedagens de sites para fazer o seu negócio crescer”.

**

Precisa crescer não, basta ficar duro.

**

Meu amigo Aldo Lopes vai morar num cocoruto de serra, perto do céu, só pra ver o povo lá embaixo.

**

Ontem eu vi um cachorro tentando roubar uma buchada de bode. O dono da buchada tomou-a da boca do cachorro e botou pra vender de novo em cima da mesa, na feira de Bananeiras.

**

Não seria uma buchada de cachorro disfarçada de buchada de bode?

**

Olha a simpatia que mandaram pra mim: “Simpatia para receber 24 mil reais todos os meses do ano de 2019:

No dia 31, descasque uma laranja, bata com açaí, pule 17 ondinhas e grite bem alto: “São Queiroz, São Queiroz, faz um depósito pra nós!”

**

E com essa, de logo avisando que estou imitando finado Zé Góes, “eu me vou-me a mim”.

8 Comentário On As primeiras do dia

Deixe uma resposta:

Seu endereço de e-mail não será mostrado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Sliding Sidebar

Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

Social Profiles

teste