Quinta-feira, 22 de outubro de 2026 Eleições faltam faltam 3 dias para o segundo turno Texto
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As primeiras do dia

Mais um Sete de Setembro, o de hoje com o tempero da política, o que o torna mais sedutor e cívico. Mas eu juro que estou pensando naqueles desfiles do interior, os estudantes garbosos descendo a rua principal da cidade, marchando ao som dos tambores e ouvindo o toque suave da corneta de Pedro Caboclo.

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Na frente de todos, Ilva, linda e garbosa, exibindo seus talentos de baliza e logo atrás a banda, com Camilão no bombo intimidando as mocinhas do Monte Carmelo e Antônio Lira, já naquele tempo mostrando suas futuras habilidades de militar, impondo no tarol o ritmo da marcha.

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E puxando o desfile, Bartolomeu, Gonzaga de Jericó e Zezinho de São José, os mais altos, carregavam as gigantescas bandeiras do Brasil, da Paraíba e do município de Princesa.

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A festa começava ao raiar do sol com a alvorada. A banda marcial acordava o povo, a corneta enchia os céus do sertão de acordes inesquecíveis, a meninada pulava da cama para ver e ouvir a banda passar e a banda fazia bonito,marchava e tocava, subia e descia as ruas, anunciando para logo mais a grande festa da independência.

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Às 8 horas começavam os desfiles com o Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho puxando a fila, a Escola Normal Monte Carmelo vindo em seguida e o Grupo Escolar Gama e Melo lá atrás dando o toque final.

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Na descida para a Rua da Avenida, todos paravam em frente à Prefeitura para o hasteamento da bandeira, a cargo do eterno diretor Genésio Lima. E tome discurso!

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A outra parada se dava perto do cinema,na Rua Grande. Mais discursos.

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E finalizava no pátio da Igreja.

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Os alunos do Gama e Melo eram orientados por Cabo Brito. As meninas do Carmelo  obedeciam o apito de Luiz Barreto, um ex-pracinha que foi à Itália brigar com os nazistas na Segunda Guerra Mundial. João Mandu dava as ordens no Bom Conselho. Ele e Pedro Caboclo.

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Havia a rivalidade entre o Bom Conselho e o Monte Carmelo, os dois colégios se matando para fazer um desfile melhor do que o do rival. Até briga aconteceu, briga desigual, eis que de homem contra mulher.Ficou famosa a tacada que Camilão deu na cabeça da moça do colégio das freiras com a maçaneta de bater no bombo.

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Mas depois dos desfiles, tudo ficava em paz. Genésio levava seus alunos (era diretor do Bom Conselho) para beber cachaça no Bar do Peixe de Maria do Ó e os mais taludos corriam para os braços das meninas do Monte Carmelo, aquelas alturas esquecidas das disputas cívicas e dispostas a disputar quem abraçava mais, se elas ou seus amados namorados.

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O tempo mudou tudo. Até a Polícia se apresenta hoje nos desfiles da cidade. Ganhou o Sete de Setembro em termos de qualidade cívica, perdeu, no entanto, o encanto da antiga inocência.

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Veneziano precisa se cuidar, o poder de sedução de Nabor e Hugo Motta está se alastrando por Campina Grande. Até Fábio Ramalho, homem forte dos Cunha Lima, anunciou que vai caminhar com o patoense.

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São muitos candidatos para apenas duas vagas.

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É cobra engolindo cobra, quem não tiver bom guardado vai sobrar na curva.

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Enquanto isso, Ricardo Coutinho continua a peregrinar pelas estradas do sertão. O homem é um guerreiro, anda praticamente só, mas onde chega é recebido com festa e entusiasmo.

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Tem pesquisa para consumo interno de deputado federal. Viuge! Eu vi os números.

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Quem foi O Norte, no que se tornou. A TV cancelou o debate entre os candidatos a governador, marcado para esta terça, porque não teve como concluir as adequações nos estúdios para receber os debatedores.

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Nem a TV Master,  com suas conhecidas limitações, passou por isso.

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Mas nem precisava cancelar. Faria o debate reproduzindo um dos que já aconteceram.

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Todos são a repetição do primeiro, o mesmo lenga-lenga, as promessas que jamais serão cumpridas.

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E por enquanto tá bom.

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Inté.

Comentários 1

  1. Tião, a TV O Norte nunca foi grande coisa. Lembro dos tempos áureos de Marconi Góes quando a emissora possuía apenas duas câmeras, um estúdio com ar condicionado pedindo manutenção, quadro de funcionários insuficiente, mantida no ar de forma quixotesca. Certa vez, o deputado João Agripino Neto fez um comentário ao vivo sobre a temperatura do ar condicionado, durante entrevista ao jornalista José Luís Júnior, que só quem estava lá sabia tratar-se de uma ironia. Sem ar condicionado funcionando, o calor estava beirando o insuportável mesmo com as portas do estúdio abertas.

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