As primeiras do dia

Esses tempos modernosos são bons, mas não se comparam aos tempos que morreram. Por exemplo, esse negócio de fofocar pela internet. É tudo muito ligeiro, você fala daqui para quem está no Japão e a resposta vem na batata. Isso não pega uma letra para a fofoca que comadre Isaura fazia da janela da sua casa para a janela de Tia Tertu. As duas falavam e daqui que a fofoca enchesse a rua durava uma semana. A coisa rendia e tinha mais sabor.

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Agora não. Num instante eu fico sabendo, sem sair de casa, sem me levantar do banheiro ou interromper o banho, que Neymar engrampou uma modelo num hotel de Paris e que a modelo, embora tenha metido a peia nele, apareceu com as duas bandas da bunda cheias de ronchas.

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Naqueles ontens eu via Zé Góes se esgoelando para mandar um telegrama via telefone para a vizinha cidade de Tavares, muitas vezes não conseguindo porque algum esperto cortara o fio do telegráfo para vender no peso a finado Janjão, obrigando o pobre de Mané Marrocos a sair pelas veredas de altos e baixios batendo poste para descobrir o defeito.

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Hoje é pei, bufe. O sujeito mete o dedo na telinha e lá se vai a mensagem para Miguezim meu irmão na distante Brasília, com a resposta chegando em cima da bucha.

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E as cartas de amor? Acabaram-se as cartas de amor que nos tiravam o sono tamanha era a ansiedade no aguardo de uma resposta aos poemas que enviamos nas asas da saudade.

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Sem contar com a vigilância cerrada em cima dos nossos passos exercida pela ciumenta companheira do nosso dia a dia.

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Conta-se que marido enxerido estava no motel com a namorada quando o celular tocou. Atendeu. Era a mulher dele. “Estou no meio do trânsito todo engarrafado”, mentiu ele. E ela, que de besta só tinha a cabeleira, exigiu: “Então buzina aí pra eu escutar!”

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Quem quiser que goste, eu tolero, aceito, mas se pudesse voltava no tempo para minha velha oliveti queixo duro, para o papel amarelado das redações e para as fichas redondas e entrecortadas dos orelhões da Telpa.

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E a chuva caiu com gosto em João Pessoa na quarta-feira. Começou pela madrugada e pela madrugada entrou. E, como sempre, as ruas se transformaram em açudes, barreiras desmoronaram, postes foram abaixo e Noel da Prefeitura concedeu as tradicionais e imperdíveis entrevistas às emissoras de TV.

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A Globo como sempre exagerou nos elogios às moças da seleção brasileira e no final teve que engolir um 3 a 2 com gosto de virada.

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Gilvan Freire meteu a lenha em Gervásio Maia.

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Gilvan está brabo demais.

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Parece um siri na lata.

10 Comentário On As primeiras do dia

  • Tião, a chuva ontem acabou com a feira de Jaguaribe.
    Fudeu geral !!!

    • Aproveitem e chamem o Cartaxo para um churrasco a “la lama”! Ele deve adorar!
      Afinal, lixo e lama é com ele mesmo!

      Só avisem a ele que o a “la lama” não se refere ao cardápio do antigo
      restaurante carioca o Lamas, mas sim ao estado em que a gestão dele deixou
      a cidade.

  • Sabias que na Rússia, após a divulgação das escutas da NSA (caso Snowden), muitos
    setores do governo voltaram a usar maquina de escrever, mensagens manuscritas
    e até fax?
    O Putin, como ex-chefe da KGB, passou a desconfiar das “facilidades” da tecnologia digital.
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    E, por falar em tecnologia, o ex-ḿinistro Eugênio Aragão escreveu um artigo sobre as
    relações Moro/Dalagnol, do qual transcrevo um trecho:

    “Um aspecto parece ter passado despercebido no noticiário sobre o vazamento: os celulares usados por Moro e Dallagnol eram de serviço.

    Juízes e membros do ministério público têm uma mordomia pouco divulgada.

    Todos recebem, à custa do erário, um iPhone, um iPad e/ou um laptop para uso no exercício de suas funções.

    Recebem, também, uma cota mensal de mais ou menos quatrocentos reais em chamadas e transferência de dados.

    É prática geral entre esses atores usar o celular de serviço para fins privados também, dentro dessa cota.

    Somente chamadas de roaming internacional precisam ser justificadas.

    Falar em direito à privacidade em dispositivo de comunicação de serviço é impróprio.

    O patrão tem direito de saber do uso que dele é feito por seus empregados.

    No caso do servidor público, o patrão somos nós, os que, com os impostos que pagamos, custeiam mais essa sinecura.

    Somente segredos de estado podem nos ser subtraídos do conhecimento.

    Mas, atos ilícitos, como a conspiração política contra a soberania popular, a visar o impedimento da vitória de um dos candidatos no pleito presidencial, seguramente não podem se revestir dessa qualidade secretiva.

    Há tempos tenho chamado a atenção de colegas para o fato de que a divulgação de conteúdos de conversas da lista @membros não configura violação de privacidade, a uma porque tal lista é hospedada em servidor institucional; a outra porque essas conversas tratam de matéria de interesse público, não sendo lícito a procuradores portarem-se, nesse âmbito, de forma conspirativa.

    A reação da turba virtual, diante desse aviso, sempre foi histriônica.

    Alguns até avisam em suas mensagens que a divulgação de seu conteúdo poderia dar margem à violação de sigilo funcional.

    Só rindo mesmo: como esse povo gosta de se fazer de importante!

    Falam um monte de asneiras sobre atores públicos e acham que podem se escudar na lei para se tornarem inatacáveis.

    No celular funcional não é diferente.

    Seu uso deveria ser restrito a atos de serviço, não se estendendo à prática de ilícitos ou de comunicação pessoal. Alguns desses atos de serviço até podem se revestir de natureza confidencial, apesar de não ser muito inteligente praticá-los através de dispositivo sujeito à invasão e muito menos conservá-los no buffer por mais de dois anos!

    Quem assim procede está conscientemente arriscando o vazamento de sua comunicação reservada e, com isso, talvez seja ele ou ela que devesse ser responsabilizado por dolo eventual na publicização de comunicação funcional confidencial.

    Não há, pois, legitimidade no argumento da vitimização dos procuradores e do juiz de piso pelo ataque a seus celulares. Mas, além disso, o chororô da nota do ministério público em decorrência de publicação, pelo sítio do Intercept, peca contra o princípio do “ne venire contra factum proprium” e, assim, é mais uma prova de falta de boa fé da turma da Operação Lava-Jato.

    É que, quando criminosamente tornaram público diálogo telefônico entre a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula, às vésperas da posse deste no cargo de ministro-chefe da Casa Civil, procuradores e magistrado — principalmente este último — se exculparam no interesse público do conteúdo para mandar a lei às favas.
    E as provas sobre conspirações de Moro e Dallagnol contra o poder legislativo que queriam “limpar” ou contra as eleições presidenciais que queriam conduzir de forma a que não se elegesse Haddad, não são elas, por acaso, de interesse público? Ainda mais quando encontradas em celulares funcionais?

    Não há desculpa. Pode até ser que, na prática recorrente dos tribunais, de blindarem Sérgio Moro, digam que as conversas vazadas não servem para condenar juiz e promotores na esfera penal, mas, seguramente, elas bastam para colocar em xeque a persecução penal contra Lula e a legitimidade do pleito presidencial de 2018.

    No que diz respeito à promiscuidade da relação entre o Ministério Público e o juiz, revelada pelo vazamento de suas comunicações, passou da hora de repensar a proximidade entre acusação e magistratura no Brasil.

    Quando atuava como subprocurador-geral da república junto ao STJ e, até mesmo antes, quando atuava como procurador regional no TRF da 1ª Região, incomodava-me profundamente o nosso papel, do MPF, nas sessões, sentados ao lado do presidente, com ele podendo até cochichar, a depender da empatia recíproca.

    Enquanto o advogado fazia sua sofrida sustentação oral da tribuna, não raros eram comentários auriculares entre juiz e procurador.

    Depois, o procurador era convidado a saborear o lanchinho reservado dos magistrados, em que os casos eram frequentemente comentados.

    Já os advogados ficavam do lado de fora, impedidos de participar dessa festa do céu.

    Produzia-se, assim, a mais descarada assimetria entre a defesa e a acusação.

    O argumento dos colegas era de que o ministério público ali não era parte e, sim, fiscal da lei. Façam-me rir!

    Do ponto de vista estritamente dogmático, essa cisão entre os papéis do ministério público é ilusória, já que o órgão se rege pelos princípios institucionais da unidade e da indivisibilidade (art. 127 da Constituição).

    O ministério público é sempre parte e custos legis concomitantemente.

    Do ponto de vista prático, são pouquíssimos os procuradores que se imbuem do papel de fiscal imparcial.

    O punitivismo há muito tempo transformou a grande maioria em ferrabrás mecanizada.

    Não raro fui criticado por meus pares de dar parecer favorável à concessão de ordem de habeas corpus contra atuação de colega em primeiro grau!

    “Como assim? Ministério público acolhendo ordem de habeas corpus? Não pode!!!”.

    Nesse contexto, é preciso barrar essa proximidade entre promotores e juízes, tirando os primeiros do pódio do magistrado, para colocá-los no nível das partes.

    Nos tribunais, está na hora de tirá-los do lado do presidente.

    Devem ocupar a tribuna para suas sustentações e voltar a seus gabinetes depois dessa tarefa, para dar andamento aos processos sob sua responsabilidade.

    Não faz sentido nenhum, em plena era do processo acusatório, dar destaque ao acusador, em detrimento da paridade com os advogados.

    Deltan Dallagnol mostrou o quanto é deletério, para o devido processo legal e para o julgamento justo, a confraria com Sérgio Moro.

    Ficavam promotor e juiz trocando figurinha sem participação da defesa.

    O juiz se dava o direito de palpitar na estratégia investigativa sobre crimes que depois viria a julgar e o promotor deixava o juiz “à vontade” para indeferir seus pleitos, se não combinasse com a estratégia comum.

    Um escândalo, tout court.

    Esperam-se consequências dessas revelações, pois, muito mais do que a profunda injustiça da prisão de Lula por uma condenação “arreglada” entre magistrado e acusação, estamos diante de evidências de manipulação eleitoral.

    Ou o país tira lições dessa atuação criminosa de atores judiciais, ou pode sepultar sua democracia representativa, porque já não haverá mais respeito pelas instituições que devem protegê-la.”

    *Eugênio Aragão, jurista e advogado

  • Porque só em João Pessoa a polícia não desbloqueia as pistas. Onde está o direito de ir e vir? Até deputada bloqueando vias? Que exemplo.

  • O Bolsonaro demitiu o gal. Santos Cruz e noneou um outro general para o seu lugar.
    Dizem que o Bolsonaro já o chama de: “meu pitbull”.
    Lidar com pitbull exige muitos cuidados. Dependendo do modo como é tratado, ele
    pode até atacar, e matar o dono.

    Eu fiquei pensando cá com os meus botões: será que a cabeça do gal. Santos Cruz
    foi o preço pago pela reaproximação do 00 com o 02?

    Essa estória de filho interferir em governo do pai ainda vai dar chabú!

  • Um diretor da Globo disse que o jornalista Gleen Greenwald mentiu
    quando afirmou que a Globo só aceitava publicar a Vaza-Jato se tivesse
    conhecimento de todo o conteúdo e o nome da fonte.

    Segundo o diretor da Globo, o Greenwald queria um cheque em branco.

    E a Globo queria o quê? Acesso ao conteúdo e à fonte para ter certeza que não
    seria divulgado?

    E cheque em branco não é o que tem sido dado a torto e a direito, quase diariamente,
    desde o Golpe de 2016?

    Os emissores de tais cheques em branco, todo mundo sabe quem são.

    Além do mais, não é difícil adivinhar quem merece mais credibilidade.

  • A Deputado que foi filmada com um veiculo atravessado na via, dá um péssimo exemplo. A pergunta é será se o povo se reunir e fazer um bloqueio na frente da rua dela ela vai chamar a policia? Isso não é greve é baderna mesmo. Cadê as autoridades?

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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