Conselheiro sentimental

 

O radialista Ayres de Oliveira, de raízes princesenses e piancoenses, sempre se considerou um grande conselheiro sentimental de mulheres que queriam, a todo custo, segurar seus homens nas barras das suas saias. Certa vez, ao ser consultado por uma ouvinte, deu o seguinte conselho para ela segurar o consorte:

-Minha filha, nunca relaxe. Jamais passe cinco dias sem trocar a calcinha, nunca fique sem tomar banho e não deixe nascer debaixo dos seus sovacos aquelas montanhas de cabelos parecidas com a cara do Lula! -, sugeriu para uma preocupada ouvinte, que se confessou prestes a perder o marido, enrabichado que estava por uma morena fogosa residente no Alto das Populares.

Ayres achava que as mulheres eram as principais culpadas pelos desacertos conjugais. Asseverava que elas, quando queriam fisgar os maridos, caprichavam  no visual, andavam arrumadinhas, cheirosas, banhadas, com as periquitas soltando essências de flores e os seios apontando para o horizonte distante, convidando o enamorado a sorver, nem que fosse por alguns minutos, o néctar guardado em seu interior e louco para saltar ao mundo pelos bicos rosados e tentadores.

-Mas depois que casam -, afirmava Oliveira, -as tais relaxam, se descabelam, perdem os encantos, passam dias sem tomar banho, acordam de manhã com os olhos cheios de remelas, as bocas parecem as fossas da praia do Bessa, os cabelos que saem das protuberâncias se enlaçam aos dos sovacos e dali sobem para os cangotes, formando uma densa mata, abrigo de piolhos e outros bichos menos conhecidos. Cheirar uma xoxota daquelas significa enfiar a venta num penico. É catinga de rato morto. E ainda dizem para os maridos: – Zé, tu vai me usar hoje? Porque se num for, vou lavar somente os pés.

Sem contar aquelas que peidam alto na frente dos maridos.

5 Comentário On Conselheiro sentimental

  • Tião, você agora lembrou um dos maiores comunicadores dessa cidade de João Pessoa que a própria mídia amassou e jogou na lata do lixo. José Ayres de Oliveira que para nós da cidade de Olho Dágua-PB continua sendo Zé de Adauto, encontra-se há muito tempo esquecido do mundo radiofônico e recolhido em sua casa no Conjunto Valentina Figueiredo, vivendo de uma mísera aposentadoria. O radialista Ayres de Oliveira foi vítima de seus próprios colegas de profissão. Inveja, maldade e trairagem são as características principais que norteiam a maioria daqueles que procuram sucesso no meio radiofônico. Ayres é uma grande vítima desse processo. O saudoso Ivan Thomás já dizia em 1965, na antiga Rádio Arapuan, que funcionava na Rua Duque de Caxias que “rádio é sacerdócio desde que seus componentes tenham caráter” referindo-se aqueles que já eram adeptos ao famoso “toco” , na época, já difundido !!

  • Basto, conheci Ayres de Oliveira ainda quando ele trabalhava como vendedor em uma loja de tecidos na minha cidade de Patos. Depois, encontrei Ayres trabalhando como locutor da Rádio Correio, fazendo um programa logo após o de Luiz Otávio que você também participava. Tá lembrado ?

  • Um aviso aos navegantes: os tempos mudaram. Com o advento da informática, você pode até ter uma emissora sem locutor e sem controlista. Faz a programação num computador e pronto. A proliferação de emissoras de rádio invadiu o país todo. A influência política chega até ao Ministério das Comunicações e a liberação se concretiza. Qualquer cidadezinha meganha tem uma rádio, nem que seja comunitária. Os horários são vendidos. Se um “locutor” é contratado com carteira assinada, seus vencimentos não passam de um salário mínimo e meio. Então porque Áyres de Oliveira vai sair de dentro da rede dele para ganhar R$ 1.300,00 por mês ? Quem ganhar mais, o complemento é “tôco”, podem acreditar.

  • iraquitan Nunes de França

    Fui criado na Paraíba,em Mamanguape, Eu conheci Ayres de Oliveira na Recepção do Sistema correio numa tarde do ano 2000, cabra bom de conversa, gente boa. A última frase que ele me disse “ATÉ MAIS NEGO” curiosidade : Eu era fã dele mas não falei que passei parte da minha adolescência ouvindo um programa que ele tinha na Correio AM ,o nome do programa era Noite sertaneja, começava mais ou menos as 18 horas. Sempre fui fã de todos os radialistas de JP. Tião Lucena peço que o senhor faça mais matérias deste tipo relembrando esses ícones do rádio. Lembro de Germano Barbosa, Zélia Gonzaga, Lenílson Guedes, Jadir Camargo, Bolinha, Bil Batista, Narrima Xavier e Cassiano José, esses dois últimos da rádio Cultura de Guarabira.

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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