Sem categoria

Filiação de Romero ao PSD leva Bolsonaro a preterir Campina Grande na sua primeira viagem oficial ao Nordeste

21 de maio de 2019

MARCOS MAIVADO MARINHO 

A filiação do prefeito Romero Rodrigues ao PSD e não ao PSL, como havia sido previamente acertado entre ele e o Presidente Jair Bolsonaro, gerou impedimento para que o Chefe da Nação desistisse de ter Campina Grande como a primeira cidade do Nordeste a recebê-lo oficialmente, conforme também motivo de prévio acerto durante a audiência que o campinense manteve no Palácio do Planalto meses atrás.

Hoje, o gabinete do Presidente anunciou que Petrolina, no Sertão de Pernambuco, é a cidade escolhida para ter o privilégio de contar com a sua visita, já nesta sexta feira próxima.

No vizinho Estado, Bolsonaro irá se encontrar com o governador da Paraíba, João Azevêdo, os governadores dos outros oito estados do Nordeste, e ainda os governadores de Minas Gerais e Espírito Santo.

O roteiro será todo em Pernambuco e ocupará todo o dia.

Em Petrolina, Bolsonaro entregará um conjunto habitacional do programa Minha Casa Minha Vida. Já em Recife, deverá anunciar um acréscimo de R$ 2,1 bilhões ao Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FINOR), que será usado em obras de infraestrutura. O fundo passará a ter R$ 25,8 bilhões no ano de 2019.

No Instituto Ricardo Brennand, ainda em Recife, o Presidente se reunirá com 11 governadores e segundo informou o jornal O Estado de São Paulo todos os governadores do Nordeste confirmaram presença: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, e ainda os de Minas Gerais e Espírito Santo.

Oficialmente, a viagem deverá marcar o lançamento do Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), elaborado pela primeira vez no âmbito da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Na primeira entrevista após assumir o cargo, Bolsonaro disse que os governadores nordestinos não deveriam pedir dinheiro a ele. “Não venham pedir nada para mim, porque não sou presidente. O presidente está lá em Curitiba”, disse ele, em referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato. Bolsonaro, porém, argumentou que não abriria uma guerra política para não prejudicar os eleitores. “Não posso fazer uma guerra com governador do Nordeste atrapalhando a população. O homem mais sofrido do Brasil está na região Nordeste. Vamos mergulhar para resolver muitos problemas do Nordeste.”

A viagem de Bolsonaro foi precedida de encontros com esses governadores. Em uma reunião recente em Brasília, ministros palacianos apelaram por mais apoio à reforma da Previdência. Argumentaram que, apesar das diferenças políticas, não era mais tempo de “palanque”.

Os governadores disseram entender a necessidade da reforma, mas cobraram proteção aos pobres do Nordeste. A região registra a maior taxa de desemprego no País: 15,3%, acima da média nacional, de 12,7%. E vem sofrendo com o arrocho no orçamento. Nos três primeiros meses do ano, Bolsonaro enviou R$ 242 milhões aos Estados nordestinos. Sem descontar a inflação no período, foram 3,2% a menos frente ao mesmo período do ano passado, ainda na gestão de Michel Temer. Os números referem-se aos recursos para despesas discricionárias, que o governo pode ou não fazer. Não entram nessa conta as transferências obrigatórias.

Em carta aberta após encontro com Bolsonaro em Brasília, os governadores do Nordeste reclamaram dos cortes orçamentários nas universidades e institutos federais, que motivaram as marchas de rua da semana passada, e solicitaram a retomada de obras rodoviárias, de segurança hídrica e habitacionais, como forma de combater o desemprego. “A pauta dele não tem nada a ver com a necessidade do Brasil. Dar arma a vereador, tem coisa mais velha que isso?”, comentou um governador, reservadamente, ao deixar o encontro.

Você pode gostar também

5 Comentários

  • Reply Angela 21 de maio de 2019 at 15:03

    Recife promoveu uma das maiores manifestações do último dia 15.
    O “pessoalzinho dos cortes” devem estar muito contentes com a visita dele.

  • Reply Lumière 21 de maio de 2019 at 15:07

    O “MITO” VIRA MÚMIA. NEM O MERVAL APOIA MAIS….
    Por Fernando Brito · 21/05/2019

    A situação de isolamento e desmoralização de Jair Bolsonaro é tão grande que nem da “linha dura” da direita ele consegue mais apoio para as suas sandices.

    Ontem, Carlos Alberto Sardemberg, o reacionaríssimo apresentador da CBN disse que o presidente apresentar-se como “enviado de Deus” cria uma situação “perigosa”.

    Hoje, Merval Pereira, em O Globo, diz que ele tornou-se o “Chacrinha da política, aquele que veio não para explicar, mas para confundir”.

    As análises de ambos, que nunca fizeram a autocritica que vivem cobrando à esquerda, não têm maior valia, por insinceras.

    Mas servem para aferir o quanto e quão rápido Bolsonaro desgastou-se nos meios conservadores.

    Bolsonaro tem hoje um quisto, encapsulado em seus fanáticos fundamentalistas, absolutamente tóxico para a vida nacional.

    E que vai produzir sua metástase naqueles que nele se grudaram, por oportunismo e ambição, como Paulo Guedes, Sérgio Moro e em generais que se lançaram a esta aventura.

  • Reply Lumière 21 de maio de 2019 at 15:23

    LEMBRAM DAQUELE DISCURSO DO TEMER DIZENDO QUE DEUS O HAVIA COLOCADO
    ALÍI PARA SER PRESIDENTE?
    O BOLSONARO ACREDITA NA MESMA COISA. ESPECIALMENTE DEPOIS DO VÍDEO DE UM
    TAL PASTOR DO CONGO, QUE O “MESSIAS” TUPINIQUIM COMPARTILHOU EM SUAS
    REDES.
    VAI VER QUE FOI ELE QUE A DAMARES VIU NA GOIABEIRA.

    BOM, O TEMER TANTO ACREDITAVA NA SUA “UNÇÃO” QUE DECLAROU: “ISSO TEM QUE CONTINUAR, VIU”!

    MAS DEUS, PELO VISTO, RESPONDEU: EU NÃO TENHO A VER COM ISSO, PERGUNTE AO BRETAS.

    QUAL SERÁ A RESPOSTA DE DEUS PARA O BOLSONARO?

  • Reply Lumière 21 de maio de 2019 at 15:55

    DO ESTADÃO HOJE, EM SEU EDITORIAL:

    A RAZIA DE BOLSONARO

    “Depois de ter distribuído pelo WhatsApp um texto segundo o qual o País é ‘ingovernável’ sem os ‘conchavos’ políticos e de dizer que conta ‘com a sociedade’ para ‘juntos revertermos essa situação’, o presidente Jair Bolsonaro voltou a fazer apelos diretos ao ‘povo’ contra o Congresso – em relação ao qual nutre indisfarçável desprezo, embora tenha sido obscuro parlamentar durante 28 anos. Cresce a inquietante sensação de que Bolsonaro decidiu governar não conforme a Constituição e com respeito às instituições democráticas, mas como um falso Messias cuja vontade não pode ser contrariada por supostamente traduzir os desejos do ‘povo’ e, mais, de Deus. Ao que parece, Bolsonaro passou a acreditar de fato na retórica salvacionista que permeou sua campanha eleitoral, alimentada por alguns assessores e pelos filhos com o intuito de antagonizar o Congresso – visto como o lugar da ‘velha política’ e, portanto, como um obstáculo à regeneração prometida pelo presidente”.

    “Ao cabo de cinco meses de governo, em que todos os indicadores sociais e econômicos apresentaram sensível deterioração, fruto de sua inação administrativa e da descrença generalizada e cada vez maior na sua capacidade de governar, Bolsonaro começa a flertar com a ‘ruptura institucional’, expressão que apareceu no texto que o presidente chancelou ao distribuí-lo na sexta-feira passada. Diante da repercussão negativa, Bolsonaro, em lugar de serenar os ânimos e demonstrar seu compromisso com a democracia representativa, estabelecida na Constituição, preferiu ampliar as tensões, lançando-se de vez no caminho do cesarismo”

    “Com 13 milhões de desempregados, estagnação econômica e perspectivas pouco animadoras em relação às reformas, tudo o que o País não precisa é de um presidente que devaneia sobre seu papel institucional e político e que, em razão disso, estimula seu entorno e a militância bolsonarista – a que Bolsonaro dá o nome de ‘povo’ – a alimentar expectativas sobre soluções antidemocráticas, como um atalho para a realização de ‘profecias’. O reiterado apelo de Bolsonaro ao ‘povo’ para fazer valer uma suposta ‘vontade de Deus’ envenena a democracia e colabora para a ampliação da cisão social entre os brasileiros e destes com a política. A esta altura, parece cada vez mais claro que Bolsonaro não estava para brincadeira quando disse, em março, que não chegou ao governo para ‘construir coisas para nosso povo’, e sim para ‘desconstruir muita coisa’. Espera-se que a democracia brasileira e suas instituições resistam a essa razia”.

  • Reply Cavalcanti 22 de maio de 2019 at 08:26

    Bolsonaro e Romero Rodrigues a panela e o texto como se dizia antigamente

  • Deixar uma resposta

    Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.