O prato predileto.

Marcos Pires

Escrevi aqui sobre minha paixão pelo Kitut e a lembrança da infância que seu sabor me traz. Sinceramente, leitores, jamais recebi tantas ligações, mensagens e recados em consequência de uma coluna. Vou resumir muito a voz dos leitores:

“- Marcos Pires, você fala com tanto amor do Kitut porque nunca teve paladar para comer um pão com ovo. Nos meus tempos de estudante era o pão dormido com margarina (pouca) e um ovo estrelado. Hoje em dia tenho condições de comer com refinamento; um pão francês sem miolo, manteiga Turvo e dois ovos mexidos. Esse sim é o grande alimento de minha alma(F.C.)”.

“- Dr. Marcos, depois que li sua coluna me deu vontade de revisitar o passado, como o senhor aconselhou. Voltei aos tempos do Pio X, quando eu e alguns amigos, inclusive o sempre lembrado José Nilson, saíamos da aula mortos de fome. Em frente ao colégio havia vendedores de tudo. Comprávamos pão francês, abríamos nos dedos e ali dentro colocávamos bolas de sorvete de coco. Meu almoço domingo passado foi esse, graças ao seu “convite”. Minha esposa reclamou muito, mas valeu a pena (L.B.)”.

“- Na minha casa em Campina Grande, quando éramos pequenos, meu pai costumava receber aos domingos os colegas do banco onde trabalhava para tomar uns drinks, geralmente cervejas e rum com coca cola. Minha mãe preparava um picado divino, mas quando chegávamos junto dos “velhos” para comer um pouquinho do picado eles nos expulsavam dizendo que o tira gosto era só para quem estava bebendo. Eu ficava com a boca cheia d’agua, só vendo a cena. Quando cresci, um dia eu fui a um restaurante próximo de Campina, o Bananal, e só para me vingar comi 3 pratos de picado. Passei muito mal depois, mas matei a vontade (T.B.)”.

“- Marcão, você não entende nada de cheiro de comida. Está certo que Kitut tem um cheiro característico, mas no mundo todo não existe um cheiro melhor do que sardinha assando. Dizem que é tira gosto de pobre, mas pra mim é a melhor comida do mundo; lembra os tempos em que eu e os amigos morávamos em Patos. O dinheiro só dava para uma garrafa de cana e uma lata de sardinhas. O sabor compensava a azia que vinha depois (V.G.)”.

Devo confessar, inigualáveis leitores, que na soma das opiniões, meu Kitut foi derrotado fragorosamente pelo pão com ovo.

 

1 Comentário On O prato predileto.

  • Marcos Pires queremos uma próxima coluna sua degustando de um pão com ovos. Com direito a foto e os pormenores do característico sabor desse fino prato!

Deixe uma resposta:

Seu endereço de e-mail não será mostrado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Sliding Sidebar

Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

Social Profiles

teste