Porque hoje é sábado

1 – Festa de ano novo já teve graça pra mim. Quando eu era menino e até rapazinho em Princesa, a gente rompia o ano, como se diz lá em nós, comendo bolo de Cecília Mandaú com capilé de João Costa. O velho Miguel Fotógrafo comprava um bolo enorme e dois litros de capilé e levava pra casa. Ao redor da mesa, fazíamos a festa. E dormíamos sonhando com a próxima festa de ano novo, dali a 12 meses.

 

2 – Já taludinho, troquei o capilé e o bolo de Cecília Mandaú pelas morenas carnudas da Serra do Gavião  e da Moça Branca, que desciam os morros com seus vestidos de chita e iam apreciar os balões de Tozinho, os foguetões de Pedro Fogueteiro e os forrós de Manoel Tocador.

 

3 – Depois desses apreciamentos, elas nos concediam o direito de conhecer seus mistérios, tendo como testemunhas as pedras da velha Lagoa da Perdição e os sombrios paredões do Açude Ibiapina, já na saída para o Alto dos Bezerra.

 

4 – Os que não pecavam, se postavam diante do palco dos padres Carmelitas para assistir o pastoril e o leilão das galinhas dos pés secos, arrematadas pelo triplo do valor por ricaços amostrados que faziam questão de exibir seus dinheiros.

 

5 – Tempos bons que o tempo levou e não traz de volta nem que a vaca tussa.

 

6 – Hoje as festas se realizam de outras formas. O povão postado no meio da praça assistindo o show de algum forrozeiro da moda, que canta sem encantar, enquanto os da plateia levantam os braços e requebram os quartos.

 

7 – Segunda e terça feriados, bancos fechados, restaurantes fechados, bares fechados e o povo trancado em casa comendo os restos da véspera e achando bom.

 

8 – E quem achar que a vida é um eterno festejar, vai começar 2019 catando as pratas pra fazer a feira e pagar o que gastou em demasia nas farras de réveillon.

 

9 – Falar nisso, vai ter queima de fogos em Cabo Branco?

 

10 – Falar em réveillon, o inferno sobe do subsolo e invade aquela área do Cabo Branco à cada festa. E quem vai, sofre como a peste para voltar. Não se trata de engarrafamento, mas de enlitramento.

 

11 – E agora mando meus abraços sabadais para Maria de Veri, Maiza de Marcos Porróia, Wilma Lima de Chota,  Mariza de Pedro, Ilma de Marçal, Socorro de Veronese, Cacilda de Tião, Nélia de Bibiu, Zezé de Miguezim, Dora de Marcos, Dorinha de Ricardo, Neci de Flavão, Nininha de Sebasto, Preta de Luizim, Terô de Zé de Vigó e  Marluce de Alexandre.

 

12 – Dois amigos chegam a uma cidadezinha em uma tarde chuvosa e resolvem ir à zona, mas não sabem onde é. Saem pela rua a procura de alguém para perguntar, e encontram um padre, um diz ao outro:

– Não podemos perguntar isso ao padre.

O outro responde:

– Deixa comigo.

– Ola padre, sua benção, queremos ir à missa e não sabemos onde é a igreja!

– Deus abençoe meus filhos, a igreja é na rua de cima três quarteirões para o lado sul.

– Nossa padre! A igreja é perto da zona?

5 Comentário On Porque hoje é sábado

  • As cidades do interior são todas assim ?
    As pessoas são conhecidas por esses nomes estranhos citados nos abraços de sábados ?
    Então você era conhecido como Tião do Cancão ? Já que você fala tanto nesse lugar !!

  • Bastião, tu sabes dizer o motivo da Rádio Sanhauá está fora do ar por mais de duas semanas ?

  • Deve ser por ações trabalhistas, energia cortada, etc, etc, etc . Na verdade, aquela emissora já encontra-se ultrapassada há muito tempo. Estava operando no vermelho, ficando a situação insustentável. Audiência se aproximando de “zero” e tendo como receita algumas lojas comerciais e aluguéis de horários para igrejas evangélicas. Não possui no seu quadro de funcionários, profissionais modernos, dinâmicos. São todos obsoletos. As rendas não dão suporte financeiro a uma estação de rádio. O estado de falência está batendo na porta. E, sinceramente, as FMs, pelas suas tecnologias avançadas, e profissionais em sua maioria advindos das universidades, engoliram as emissoras de Amplitude Modelada(AM). É a opinião de quem viveu 53 anos no meio radiofônico.

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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