Porque hoje é sábado

1 – A sociedade paraibana está em polvorosa. É que o marido de famosa socialite de nossa Filipéia finalmente arranjou um emprego – o de chefe de cerimonial em festa na Capital – e para isso já está treinando diariamente, à base de gritos e berros, querendo fazer sua voz ficar em perfeito estado de conservação.

Infelizmente, até agora não se entende uma palavra do que ele diz. Talvez se tirasse o sapo da boca, pudesse falar melhor e ser melhor entendido.

2 – Que coisa estranha! Um conhecido freqüentador de colunas sociais de João Pessoa esteve esta semana tomando massagem em conhecido reduto chique com o talentoso e bem dotado Chicão e, na sua presença, tirou a calça, a cueca, a camisa e, completamente nu, deitou-se com a bunda para cima, permitindo ao massageador de carnes uma bela visão panorâmica.

Acontece que, quando Chicão passava as mãos nas bordas da sua bunda, o tal socialite sugeriu que ele subisse nele, sentasse sobre suas coxas e fizessse o serviço melhor apoiado.

Chicão, temeroso, recuou:

-Tá doido, doutor! Se alguém entra aqui e pega a gente, vai pensar logo que nõis tamo fazendo aquilo.”

3 – Gilvanzinho, entre um pedido de real para interar o café e um lamento, contava esta semana os motivos pelos quais se separou da viúva com quem se juntara no natal, sob as promessas de eterno amor.

– A viúva queria sexo dia sim, dia não, mesmo estando passada nos entas e ter até bisnetos. Eu dava o sexo em troca da boa dormida, da comida farta, da roupa lavada e da televisão colorida instalada na sala de visitas para  assistir os beijos de Marina Rui Barbosa, minha fada e musa.

-Foi só eu passar duas semanas dormindo zero a zero para ela ameaçar -, contou ele  na roda do cafezinho formada por Antonio Malvino, Cristiano Machado, Edmilson Lucena e o locutor que vos fala.

E sem esperar que alguém perguntasse pelas ameaças, completou:

-Ela disse que o vigia da Cagepa já andava de olho gordo e chegou a lhe oferecer cem contos. Aí eu disse: por cem pode deixar que eu dou”.

Não deu, nem ficou. Foi mandado embora, levando consigo muitas queixas. A mais profunda delas dava conta do sacrifício extremo que fazia para agradar a viúva:

-Olhe, Tião, na hora h eu botava xampu porque ela não fabricava mais óleo!”

4 – Convidado pelo advogado Johnson Abrantes para viajar a Brasília, o prefeito Luiz Sá preparou-se devidamente comprando uma bonita roupa de casimira na loja de Mestre Zequinha.

Começaram a viagem no Recife, onde pegaram o avião. Já instalados, o prefeito ouviu a aeromoça avisar, pelo serviço de som, que estava na hora de apertarem os cintos. Aí ele deu o alarme:

-Jonhsin, o que é que eu faço?! Minha calça é de suspensório!”

6 – O prefeito Manoel Ilton,também conhecido por Manoel do Bar,fez uma festa no Lastro para receber o Projeto Cidadania, do governo do Estado.

Soltou foguetões e botou banda de música para recepcionar a comitiva, tendo o cuidado de convidar o locutor Chico de Joel, da Rádio Progresso de Sousa, para transmitir o evento.

Chico, ciente do seu dever radiofônico, trata logo de fazer uma entrevista com o prefeito, perguntando em que consistia o tal projeto. O prefeito, todo falante, ajeita a gravata e explica:

-O Projeto Cidadania, caro repórter, consiste no atendimento ao cidadão nas áreas de lazer, saúde, educação, esportes e alimentação, entre outras necessidades fisiológicas.

7 – Esta semana tomei uma cana Rainha no bar de Renato do Funcionários II, aqui em João Pessoa, fazendo dupla com Gilvan de Santa Luzia, aquele pretinho invocado que empresta dinheiro a juros e só anda em carro importado.

Renato estava sem a perna mecânica, que foi mandada para a manutenção na borracharia de Dionísio do Grotão. Diz ele que ela voltará novinha e sem fazer aquela zoada repetida,parecida com a rabichola de um jegue quando o suor abunda.

Gilvanzinho, como o chamo, é aquele personagem famoso que protagonizou histórico diálogo na Praça João Pessoa com um vendedor de amendoim.

Ele estava sentado no banco da praça e o vendedor encostou, oferecendo um bisaquinho do produto por 50 centavos. Acostumado a ganhar muito dinheiro, Gilvan perguntou se com aquilo o cidadão sustentava a prole de cinco filhos, como ele confidenciara minutos antes ao seu interlocutor.

O rapaz primeiro informou que tinha um ganho semanal de 15 reais, mas fazia alguns vira becos.

Pensando, talvez, que Gilvan fosse algum matuto recém chegado do interior e ali estivesse em busca de alguma “caridade”, prosseguiu o vendedor:

-Olhe, dar não dá. Mas o senhor sabe, além do amendoim, de vez em quando aparece um cuzinho pra eu comer…

Gilvan não o deixou terminar. Dando um pinote do banco, saiu em disparada para o Pavilhão do Chá, deixando atrás de si o eco do seu grito:

-O diabo!

 

8 – Um primo do advogado Johnson Abrantes, que sempre morou no Lastro, inventou de conhecer Sousa, numa noite de festa da padroeira. Chegou na cidade e arranjou uma namorada que também nunca tinha ido a um lugar importante.

Saíram a namorar, de mãos dadas, apreciando as rodas gigantes, canoas,carrosséis e outras novidades que encantavam seus olhos. De repente, fogos de lágrimas enfeitaram os céus sousenses e ele, extasiado, perguntou:

-O que é aquilo?

-Ignoro -,respondeu a amada.

De volta ao Lastro, os parentes perguntaram pelas novidades, e ele:

– Tudo bonito, bonito demais.Mas o que achei mais bonito foram os ignoros que caiam do céu”.

9 – Pedro Revoltoso é mais conhecido em Cajazeiras do que o bispo. Conhecido como juiz de futebol, como porteiro do Cajazeiras Tênis Clube e, principalmente, pelo mal humor. O sobrenome de Revoltoso não lhe foi botado em vão.

O humor de Pedro era  tão azedo que, certa vez, ao pedir um café na venda de Seu Inácio, ouviu a garçonete perguntar se botava o pretinho num copo ou numa xícara e respondeu:

-Derrama aí no balcão e vai trazendo com um rodo, que quando chegar aqui em bebo.

Boquinha de noite, entrou no barraco de Joaquim do Tetéu para tomar uma sopa. Mas nem bem começou a beber, esbravejou:

-Isso é uma esculhambação! Um pentelho dentro da sopa!

Joaquim ouviu o grito, aproximou-se e protestou:

-Pentelho não. Pentelho tem onde você fica metendo a boca no cabaré de Lilia, no Sete Candeeiro, em Sheila, na Asa e em Lourdes, e nunca ouvi você reclamar.

Pedro Revoltoso, até um pouco calmo, fora do seu natural, olhou para Joaquim e garantiu:

– Só tem uma coisa: no dia em que eu meter a boca num lugar que tem pentelho e achar um macarrão com gosto de sopa, pode acreditar que eu mato a quenga.

10 –  Como vocês sabem, dia 30, sábado vindouro, lanço meu livro “Nos Tempos de Jornal” no Restaurante e Bar Mororó, em Campina Grande.

Aproveitando a propaganda que Marcos Marinho fazia, um leitor perguntou se haveria, no dia do lançamento, o tal coquetel 0800. Maivado respondeu:

-Terá guiné, se pagar.

11 – E agora lá se vão meus abraços sabadais para Damião Ramos Cavalcante, Itapuan Botto Targino, Simão Almeida, João Fernandes da Silva, José Luiz Júnior, Raquel Gondim, João Pinto, Alysson Filgueiras, Edson Fachin, Joaquim Barbosa, Irapuan Sobral, Chico de Nadir, Paulo Bocão e Dionísio de Vitalina.

12 – Pedro Baiacu, figura muito conhecida em Campina, dormia em sua casa quando o acordaram informando que um bandido havia atirado na sua filha caçula, acertando a “perseguida” da coitada.

Revoltado, no dia seguinte, ele desabafava no Calçadão:

-Campina está um caos.Imaginem vocês que atiraram na região pubiana da minha filha!

-Que diabo é região pubiana, seu Pedro? – indagou um ouvinte.

-É a testa da priquita, seu imbecil! -, respondeu Baiacu, com a sua costumeira educação.

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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