Sobre dentaduras

Marcos Pires

Antes que as novas gerações esqueçam, preciso registrar que usava-se dentadura até recentemente. Zeca Diabo chamava de perereca, mas isso já é outra história. A dentadura existe desde muito tempo e já foi feita até de dentes de defuntos. Há uma cena incrível ocorrida na época das guerras napoleônicas, quando os soldados procuravam entre os cadáveres pós batalha os melhores dentes para extrair e vender depois.

Mas deixemos de bobagens e vamos ao que realmente importa. Numa das campanhas políticas do deputado Álvaro Neto, seu irmão Marconi (que é um excelente dentista) fazia atendimentos a quantos eleitores precisassem. Um dia chegou um matutinho com a boca toda estropiada e Marconi foi examinar. Imediatamente notou que a dentadura que o pobre usava era totalmente inapropriada para sua arcada dentária. Retirou a peça e viu que as gengivas do paciente sangravam. Ficou revoltado e decidiu denunciar o fato. Perguntou ao velhinho o nome de quem fizera aquele serviço. “-Ah, Doutor, foi ninguém não, eu apanhei essa chapa na troca de uma bicicleta. Veio ela e um rádio Transglobo”.

Outra cena política ocorreu na campanha de um irmão do internacionalmente famoso Bessanger. Ele comprou várias dúzias de dentaduras e começou a distribuir entre os eleitores. Era meter a mão no saco e entregar o futuro sorriso. Até que um contemplado o procurou dias depois com a dentadura na mão: “-Dr., essa dentadura que o senhor me deu não serve pra falar não, quando eu boto ela e vou dizer as coisas só sai assovio”.

Esses fatos reais me lembraram de uma história supostamente verdadeira que P. B. me contou. Ele é dono de um dos melhores restaurantes aqui de João Pessoa. Um casal de velhinhos simpaticíssimos foi lá comemorar seus 60 anos de casados. Pediram uma garrafa de champanhe e um parto de lagosta para compartilharem, e fizeram questão de dizer que o sucesso do seu longevo casamento devia-se exatamente a isso; compartilhavam tudo o tempo todo. Meu amigo P. B. estranhou o fato de só ela estar comendo, exatamente metade do prato. Perguntou se o esposo não iria comer, e ele explicou: “- Claro que sim, estou esperando ela terminar para compartilhar a dentadura”.

Que cousa, hem?

1 Comentário On Sobre dentaduras

  • Conta Wolgran, que Edvaldo Mota trocava óculos de grau por votos. Foi quando uma eleitora pegou uns óculos com grau muito superior ao que ela necessitava, saiu da casa de Edvaldo aumentando a altura da passada em uns trinta cm, para um batente de apenas 03 cm. Wolgran seguiu a mulher que na feira confundiu um limão com um coco verde e um maxixe com uma jaca.

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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