A CHACINA DO SERROTÃO

 

No final da tarde do dia 04 de julho de 2003, os apenados Alexandre de Oliveira Nascimento, Edgleriston Kleber Ferreira da Silva, Fernando Ivan Nascimento Silva, João Mendonça Miguel, José Mendonça Miguel, José Iremar Ferreira Júnior, José Fernando da Silva Santos, Joelson Ricardo Silva Brito, Juscelino Sousa Silva, Kalleb Tomaz da Silva e Severino Ramos da Silva Lima, que estavam recolhidos ao Instituto Penal Sílvio Porto, em João Pessoa, festejaram as suas transferências para Campina Grande, onde residiam antes de serem condenados. Nem quiseram jantar, tamanha a ansiedade de retornarem para a terra das suas famílias.

Eles iam permutados pelos apenados de João Pessoa que estavam no Serrotão Luciano Tavares de Melo, Assis Francisco da Silva, Eduardo Torres dos Santos, Jackson Vitalino da Silva, Geremias Joaquim da Silva Filho, José Davi Pereira Santos, Marcos Aurélio da Cruz Freitas, Wellington Agra Barreto, Plínio Borges de Araújo, Manoel Roberto Nunes dos Santos e Severino José de Sousa Filho.

Os apenados que estavam no Sílvio Porto e foram transferidos para o Serrotão chegaram ao Presídio de Campina Grande por volta das 20:30 horas do dia quatro de julho. Retirados do camburão, foram levados à sala do Diretor, onde lhes foi oferecido café com pão e perguntado, pelo Administrador do Presídio, se algum tinha inimigo na parte de baixo que pudesse oferecer perigo às suas vidas. Quase todos negaram, menos o apenado José Fernandes da Silva Santos, também conhecido por “Nêgo Fela”, que se recusou a entrar na parte baixa da Penitenciária, alegando que estava marcado para morrer.

Foi a sua sorte.

Os outros, que nada avisaram ao Diretor, foram recolhidos ao “reconhecimento” e no dia seguinte, cinco de julho, mortos.

Os apenados recolhidos ao “reconhecimento” do Serrotão, transferidos do Instituto Sílvio Porto, acordaram às 07:00 horas, tomaram café e, pelas 07:30 horas, foram surpreendidos por mais de 150 presos, armados de espetos, facões e estiletes, encapuzados e prontos para matar. Os invasores primeiro renderam os agentes de plantão José de Souza e José Severiano de Lima, além do apenado Valdeci Elias da Silva, que apesar de condenado pela justiça como incurso nas penas do artigo 157 do Código Penal Brasileiro, morava na parte de cima do Presídio do Serrotão e era encarregado de abrir os portões e pavilhões. Depois, abriram o portão da Mini Máxima (“reconhecimento”) e caminharam até o portão do isolado onde se encontravam os presos recém transferidos. Ali, arrombaram o cadeado, determinaram a saída dos apenados Severino Ramos da Silva Santos, José Ibernon Pereira Júnior e Edigleriston Kleber Ferreira “que nada tinham a ver com a vingança que iriam praticar” e em seguida mataram os presidiários Alessandro de Oliveira Nascimento (ex-PM), Juscelino de Sousa Silva (Guga), Joelson Ricardo Silva Brito (Carioca), Ivan Nascimento Silva (Macarrão), Kleber Tomaz da Silva (Zorro) e João Mendonça Miguel (que faleceu no hospital). Saiu ferido José Mendonça Miguel, irmão de João Mendonça.

Comandaram a chacina os apenados Raimundo Luís Pereira (Matuto), Ivonaldo Santos (Cachete), Wagner Oliveira da Silva (Carioca), Wanderley Xavier Arruda (Paixão) e Patrício Xavier da Silva (Xavier).

Os apenados foram assassinados por vingança. É que, dois anos atrás, eles mataram, em circunstâncias semelhantes, o interno conhecido por “Besteira”, amigo de “Cachete”, na mesma Mini Máxima, e tinham sido transferidos de Campina para João Pessoa como forma de evitar a vingança.

Que terminou acontecendo.

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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