Cadê tu, Princesa?

Eu conheci essas casas, essas ruas e esses prédios, do jeito como estão mostrados na foto/montagem. Essas imagens faziam de Princesa, minha terra, uma das cidades mais bonitas do Brasil. Suas casas antigas, preservadas, suas ruas antigas, seus casarões que atravessavam séculos, contavam histórias aos ouvidos do menino, falavam de guerras, de heróis, de amores, de tragédias e de glórias.

Essa Princesa que o menino conheceu, um dia desapareceu sob os golpes da marreta, do machado e da ignorância. Esses prédios, essas casas, essas ruas, tudo isso mudou. Quem visita Princesa agora não vê nada disso que está mostrado na foto. Essa rua bonita é, hoje, um amontoado de lojas, de prédios com o pomposo nome de novidade. O cinema se foi, o convento mudou de cara, cadê a casa de Japonês? Cadê os bares de João França e de Mirô, onde esconderam a velha igreja, o casarão de Seu Gastão, o casarão de azulejos, a casa de Zé Góes, a loja de Zé Pires, o hotel de Dona Hozana, em suma, cadê o passado de Princesa?