De heróis a bandidos

O brasileiro é o mais arrogante dos torcedores. De uma hora para outra transforma seus heróis em bandidos, como está fazendo hoje depois da derrota para a Bélgica. Tite, que até ontem era o maior técnico que já treinara a Seleção, passou a ser alvo da chacota nacional. E Neymar, o incontestável craque do país, virou piada. Fizeram até uma montagem com o negão da Bélgica enrabando o queridinho de Bruna Markezine.

Já disse e repito: não assisto jogo da Seleção desde 94. Hoje também não assisti. Tomei conhecimento do gol contra de Gabriel Jesus, do outro gol relâmpago da Bélgica e ainda soube da reação tardia do Brasil no segundo tempo. Também vi fotos de torcedores chorando.

Não chorei. Estava preparado para o resultado. Mas não vou aqui demonizar os jogadores, tampouco o técnico. Eles são craques, o técnico é bom, mas o Brasil não vai ganhar copa nenhuma enquanto se prestar ao improviso. Enquanto as outras seleções se preparam, passam tempo treinando e fazendo o dever de casa, no Brasil o futebol transformou-se num negócio da China.

Os clubes preparam os jogadores para vende-los ao estrangeiro. Jogador de futebol no Brasil tem o mesmo valor do que carne de frango ou de boi. E o jogador se manda para o estrangeiro, fica rico e só vem trabalhar na Seleção Brasileira às vésperas das competições.

Em 70 João Saldanha passou meses com o grupo reunido, treinando, para vencer as eliminatórias e entregar a Zagalo uma seleção nos trinkes. De 70 pra cá ganhamos duas copas no bambo, sem méritos, sem preparo.  E depois da copa de Ronaldo Fenômeno, acabou-se o que era doce. Passamos a juntar jogadores às vésperas dos jogos, uns chegando primeiro, outros chegando depois, cada um defendendo a sua conveniênia. E feito bodes em chiqueiros, entramos com eles em campo para perder.

Foi até bom isso acontecer. Talvez com o povo distanciado da paixão futebolística, os deputados e senadores deixem de fazer as peraltices que estiveram fazendo durante a copa.

11 Comentário On De heróis a bandidos

  • O gol contra não foi de Gabriel Jesus e sim de Fernandinho.

  • Tião, voçê disse tudo.
    Futebol é assim mesmo. O mundo real também !
    É vida que segue.

  • Esse é um pobre país pobre de “heróis “. Nos anos 90, ante a ausência de ídolos, um piloto de fórmula 1, um homem decente, corporificou o ideal de cidadão a ser imitado. Hoje, um jovem e talentoso futebolista, trapaceiro, farsante, desonesto, mau caráter e simulador, que na verdade é a exata imagem dos líderes corruptos que todos queremos extirpar, se tornou o herói nacional, quando não passa de um péssimo é deletério exemplo, especialmente para a juventude. Os heróis estão entre a gente trabalhadora é decente dessa nação, velho amigo!

  • Eita povo pra não saber perder, não era o dia do Brasil. Deram muitos chutes a gol e não entrou, não era o dia. Jogo é isso mesmo. Não faltou vontade, faltou sorte e ser o dia do Brasil. Agora fica o moido.

  • Tião é seu irmão(Miguel) na TV senado comentando sobre a revolta de Princesa?

  • Com exceção de Neymar e Marcelo, achei os outros jogadores inseguros. Estes também deveriam tentar jogadas individuais. Acreditar mais em si mesmos do que repassar a bola e fujir da responsabilidade, medo de desobedecer regras táticas quando o tino manda agir diferente, arriscar e incomodar a defesa adversária. No mais, a seleção jogou bem, ofereceu um bom combate. Não os acho mascarados. Só não gostei das encenações do Neymar quando acaba a partida. Aquele drama todo para chamar a atenção dos holofotes, sem cair uma gota de lágrima.

  • Vamos ter que construir uma enorme estátua de macunaíma para honrar o Brasil, devidamente Super faturado!!!!

  • Perfeito o comentário do sr ABRAÃO BELTRÃO, fez uma síntese da mais pura realidade.

  • De todas as criticas, construtivas ou não, sobre a seleção brasileira x seleção belga, a que me chamou
    a atenção foi a de um site, não lembro qual, que traçava o perfil acadêmico dos jogadores belgas.
    Segundo o jornalista, todos os jogadores da seleção belga tem MBA, e o goleiro substituto é formado
    em Ciências Políticas, já pensando em fazer Mestrado.
    Ou seja: graças ao nível acadêmico eles ganharam dos “maus-preparados” ,academicamente falando,
    jogadores brasileiros? É muito complexo de “cão viralata” para o meu gosto.
    Ganhar ou perder faz parte de qualquer esporte! Como também faz parte aqueles que nunca sabem
    perder, tipo o treinador do México. “Doença” da qual sofrem muitos brasileiros.
    Espero que agora todos esses que não sabem perder, percebam também TUDO o que o país está
    perdendo e direcionem a sua revolta em defesa da soberania nacional e de suas riquezas.
    Que a força descomunal que demostram possuir seja direcionada ao pé na bunda de todos os
    Golpistas, e dos fascistas da vez.

Deixe uma resposta:

Seu endereço de e-mail não será mostrado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Sliding Sidebar

Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

Social Profiles

teste