Só que não

Marcos Pires

Os mais felizes lembram de um dos maiores sucessos musicais do início dos anos 60, El reloj, que chamávamos no Miramar de “Porque não paras, relógio”. Foi composta por Roberto Cantoral, que também pariu a belíssima La Barca.

Pois bom! Sempre acreditei na incrível história de que o compositor acompanhava sua amada esposa, internada num hospital, onde iria se submeter a uma delicadíssima cirurgia. Os médicos haviam preparado Roberto para o pior, e dificilmente ela sobreviveria até a manhã seguinte. Ele sentou em uma cadeira e ficou esperando o resultado. Na parede em frente havia um enorme relógio, e à medida que os ponteiros andavam, mais aumentava sua angustia. Naquele momento surgiram os versos: “ Reloj, no marques las horas, porque voy a enloquecer, ella se irá para siempre, cuando amanezca outra vez…”. O sucesso retumbante da música foi imediato em todo o mundo. E a história ajudou um bocado.

Só que não. Cantoral tinha apenas 21 anos quando compôs “Relógio” e estava na companhia de uma bela dançarina num hotel.

Outra maravilha é a história da música “As rosas não falam”. Dizem que o genial Cartola referia-se a uma filha que era prostituta em São Paulo e por isso não era aceita por Dona Zica, que não era mãe da garota. Cartola sonhava com o retorno da filha à casa paterna, daí os versos “ Devias vir, para ver os meus olhos tristonhos, e quem sabe sonhavas meu sonho, por fim”.

Só que não. Na verdade Dona Zica havia plantado algumas roseiras no jardim e ficou impressionada com a quantidade de rosas que nasceram. Perguntou a Cartola por que haviam nascido tantas rosas. “-Não sei, Zica, as rosas não falam”. O resto vocês conhecem.

E a belíssima My Way, hem? Nada mais americano. Só que não. Na verdade o cantor Frank Sinatra estava de saco cheio das músicas que gravava. Numa noite em que tomou um porre homérico com Paul Anka, confessou que iria deixar de cantar. Anka, que era seu amigo e fã, desesperou-se. Descobriu uma musica francesa chamada “Comme d´habiture” em seus guardados e fez uma versão, conservando apenas a musica, mas produziu uma letra que era cara do velho “olhos azuis”.

Pronto. Já dá pra tomar um rum com coca cola neste domingo ouvindo essas belezuras, hem?

1 Comentário On   Só que não

  • Essa canção my way é muito profunda, sempre gostei e na primeira vez que tive oportunidade de ouvir, fui logo em busca da sua tradução. Tempos depois o meu irmão mais velho me contou da sua origem Francesa. Gosto muito dos filmes franceses, música é também algo muito bacana.

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Sobre Tião Lucena

Sobre Tião Lucena

Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá.

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